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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Clássicos de Quinta: As esganadas

Por: Cláudio Jr.


Eu já vi de tudo, mas um assassino que usa doces irresistíveis para pegar sua vítima é novo. E o melhor, suas vítimas são sempre mulheres gordas! E o porquê disso? Simplesmente porque nosso querido assassino detestava sua mãe e mesmo tendo se livrado dela –sim, é isso mesmo que você está pensando – não consegue ver nenhuma mulher gorda sem sentir ódio ao lembrar de sua mãe.

Com uma mistura de gastronomia e assassinatos grotescos, temos uma escrita rica em detalhes do Rio de Janeiro nos anos 30, de forma que nos sentimos nas ruas junto com os personagens. Jô Soares mistura crítica social, fatos históricos, e aquele humor clássico numa trama com um serial killer que o deixará com fome e ao mesmo tempo horrorizado com suas ações. 

Logo de cara você já descobre quem é o assassino e o motivo por cometer cada crime. Ao longo das mortes ao mesmo tempo que você fica com fome, consegue perde-la ao ler as cenas e da forma como cada mulher é morta, e se pergunta porque diabos o cara faz tudo isso com as pobres gordas!

Na trama encontramos diversos personagens opostos que se unem para desvendar quem é esse homem que mata as mulheres da mesma forma: esganadas! E desse modo o autor foge do clichê. Para os leitores apaixonados por literatura policial, esta obra é uma excelente opção. Esse foi o primeiro livro que li do Jô e confesso ter lido com muita "fome". 

domingo, 16 de julho de 2017

Única Filha

Por: Ingrid Moreira


Aposto que você já viu vários filmes assim, não é? Pessoas desaparecidas, detetives tentando encontrar a vítima e o criminoso surreal... Pensaram em vários filmes, né? Aposto que sim. Agora imaginem que a vítima desaparecida é de repente substituída.

Sinistro não acham? Vem saber sobre essa história bizarra e incrível no livro Única Filha.

Já ouviu aquela história de que todo mundo pode ter um sósia? Pois é, em Única filha veremos uma jovem desesperada por um refugio, e que como solução decide se passar por Rebecca Winter – desaparecida em 2003 quando tinha 16 anos – fugindo de uma possível prisão e ganhando uma nova “vida” ao assumir a de Becca.

É claro que ao assumir o lugar de Becca, ela terá que lidar com o presente e passado da garota, além de ganhar um investigador na sua cola tentando descobrir onde ela esteve todo esse tempo e quem foi o culpado por seu sumiço.

E ainda tem mais! Com a nova vida, novos pais, irmãos, amigos, casa ela terá que assumir todo o legado deixado pela menina, acreditando ter a chance de ser feliz e fugir de seus problemas. Mas o passado que assumiu pode está mais perto e ser assustador do que ela imagina.

Na obra escrita por Anna Snoekstra, somos transportados a dois períodos – 2003, o ponto de ignição dos passos de Becca antes de seu desparecimento e 2014 com uma impostora tentando se adequar a nova rotina,  na tentativa de se tornar parte da família enquanto cria artimanhas para fugir da investigação sobre o desaparecimento.

O maravilhoso de tudo é que no passar das páginas somos bombardeados com tantas informações que não percebemos as dicas deixadas pela autora sobre o final, vamos devorando o livro rapidamente e ficamos tão alucinados com o crescimento do suspense, que sem perceber estamos desesperados para chegar ao final e descobrir quem é o culpado, o que aconteceu com Becca e o que será da impostora.

Uma história que mexe com seu psicológico e que te deixa de boca aberta, um thriller que te enche de perguntas e te faz pensar em tudo o que aconteceu com essas duas mulheres, em como uma conseguiu entrar na vida da outra, como a família de Becca aceitou essa substituição, e como toda essa situação é resolvida.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Clássicos de Quinta: A vida íntima de Laura

Por: Cláudio Jr. 


“Vou logo explicando o que quer dizer “Vida íntima”. É assim, vida íntima quer dizer que a gente não deve contar a todos o que se passa na casa da gente. São coisas que não se dizem a qualquer pessoa. Pois vou contar a vida íntima de Laura. Agora adivinhe quem é Laura. Dou-lhe um beijo na testa se você adivinhar. E duvido que você acerte! Dê três palpites.”

Quando peguei nesse clássico infantil, a primeira coisa que pensei foi: Sim, Clarice realmente gosta de galinhas!!! Já havia lido o conto “uma galinha”, porém esse livro é diferente e achei muito melhor que o conto.

Nesse livro Clarice Lispector traz um narrador cheio de questionamentos e filosofias, com um toque maravilhoso de ironia e repleto de humor,  trazendo a todo momento perguntas que nos fazem pensar, de modo que, leva o leitor “a sentar” com o narrador e “bater um papo” com ele, nos fazendo gostar de conhecer as intimidades de Laura (a galinha).

A história conta o cotidiano de Laura, uma galinha descrita como burra do pescoço feio, mas que, como ela mesma diz “o que vale é ser bonita por dentro”, que vive no quintal de D. Luisa e é casada com o galo Luís, um dois mais bonitos naquele galinheiro.

O simbolismo usado pela figura de um animal tão simples, nos remete todo um fundo de um cotidiano humano, trazendo a tona defeitos e qualidades que muitos deixam de observar, porém que afetam a vida de todos. Clarice aborda de forma suave temas como: ciúme, inveja, vaidade, amizade, preconceito, amor próprio, de modo que, faz a criança se sentir confortável ao ler fatos complexos para sua idade.

Uma obra que remete que ser você, mesmo não tendo atributos físicos ou intelectuais de acordo com a sociedade, pode te levar a ser alguém muito importante e com grandes talentos.

Por mais que seja um livro infantil, vejo “A vida intima de Laura” como uma leitura ideal a todas as idades.


Sonata em Punk Rock

Por: Débora Farias



Já ouviram falar que os opostos se atraem?  Veremos muito disso no livro Sonata em Punk Rock

Valentina – conhecida como Tim – é uma jovem punk aparentemente comum, exceto por um pequeno detalhe, nossa roqueira tem um dos dons mais raros no meio da música. Tim tem ouvido absoluto.

Ok, Débora. Mas o que diabos é ouvido absoluto?

Vamos lá, basicamente nossa menina é um prodígio musical, ela é capaz de identificar qualquer nota musical ou cantar sem um tom de referência, através desse “dom” ela consegue aprender a tocar instrumentos com grande facilidade e até mesmo cantar com a entonação correta.

Agora que todos compreenderam o valor musical de Tim, vamos voltar à história, né?

Como toda musicista Tim, sonha estudar na Academia Margareth Vilela, o problema é que nossa heroína não tem grana para bancar as mensalidades que a universidade cobra. Mesmo com o impossível, ela presta o vestibular para o conservatório e passa. O que ela não esperava é que o bendito pai desnaturado dela iria finalmente dar as caras e surgir com a solução que ela menos esperava. Tim é filha de um renomado músico e como tal, ele deveria apoiar o sonho da filha “amada” na música e é assim que nossa heroína parte para a melhor Academia de musica do Brasil.

A meta de Tim era simples, estudar e fazer música – especificamente rock- mas a vida dela  não é tão fácil assim. Ao chegar lá nossa garota de gênio forte e personalidade marcante vai enfrentar os dramas de ser diferente, sofrer bullying por seu estilo e até mesmo por sua “falta de instrução” musical, por sua conta bancária e  inclusive pelo seu modo de agir.

E é nesse meio que daremos de cara com o Kim, um garoto que para muitos​ é apenas o melhor e maior pianista do Campus, mas que por traz da fachada esnobe e arrogante se esconde um garoto com fragilidades, problemas, sentimentos e sinceramente muitas mágoas.

A vida desses dois começa a se entrelaçar quando uma aula de piano pode levar a reprovação e um segredo revelado pode se tornar a vergonha pública de alguém. O que ninguém esperava é que no meio dessa bola de neve, surgiria algo a mais entre esses dois jovens. A força que um dá ao outro é que me emociona no livro, ele a alavanca a crescer e amadurecer profissionalmente, e ela o impulsiona a viver, a sonhar e a quem sabe amar...

O que eu adorei no livro, além das músicas, foi o fato de que a Babi soube dosar sua escrita, ela nos apresenta a uma garota forte, determinada e bem focada, mas que se permite chorar, e um jovem que  aprende que a vida é muito além das aparências.

Babi não apenas nos mostrou a vida de dois jovens vivendo sonhos, mas que é  possível sonhar, mesmo com a família contra, mesmo com a grana baixa e mesmo com as pessoas criticando... O que importa é buscar seu sonho, acreditar em si mesmo e lutar por ele.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Clássicos de Quinta: A Espiã

Por: Cláudio Jr.




Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim, mas, caso isso ocorra, que jamais me vejam como uma vítima, mas sim como alguém que deu passos corajosos e pagou sem medo o preço que precisava pagar.”

O livro se inicia deixando bem claro a força dessa lenda que se tornou Mata Hari, trazendo uma ficção sobre sua biografia, mostrando a trajetória de uma mulher que por dançar e se envolver sexualmente com militares de sua época, chamou a atenção de muitos a ponto de ser considerada uma espiã. Condenada então ao fuzilamento em outubro de 1917.

Ainda hoje o governo francês não divulgou os documentos de seu julgamento deixando a icognita de sua culpa ou inocência, para a consciência dos que buscam sua historia. Porém, confesso que fiquei encantado com essa mulher desde o inicio do livro que relata a personagem colocando suas meias longas pretas e se vestindo com total elegância para sua execução.


Paulo Coelho nessa narrativa não perdeu a sua essência e traz bastante filosofia, reflexões, e culturas que enriquecem seus textos e te levam a viajar em uma leitura inteligente, e calma, mostrando também lugares  e suas belezas e costumes do povo local...

Em “A espiã” ele mostra uma mulher forte que a todo tempo  luta para fazer o que sonha, almeja e quer, que quando contrariada ‘bate o pé’ e segue o seu propósito. E sobre sua condenação, como ela mesma fala na pag 26, que foi condenada por ser uma mulher “emancipada e independente em um mundo governado por homens.”

A narrativa é toda em primeira pessoa, fazendo com que mergulhemos em sua mente, sorrindo  em seus momentos felizes, questionando-nos em sua busca por respostas e totalmente feministas em busca por liberdade de expressão sem o peso hipócrita de conduta social, dentro de tudo isso entramos em sua angustia desde o inicio onde ela inicia sua carta desabafando sua história  a espera da execução que  ela confessa, na pag 28, ter tido pena de si mesma e chorado em silencio.

Quando li a sinopse do livro eu esperava que fosse falado mais sobre o ambiente em que ela e o mundo estavam naquele período de primeira guerra, porém o livro e voltado para sua jornada, angustia e  todo discurso feminista que traz força a essa mulher poderosa que morreu no salto e elegância do século 20.

sábado, 1 de julho de 2017

Love is in the air

Por: Camila Santos


Como toda amante da cidade de Londres, ou melhor, amante da Inglaterra inteira. Eu sempre me imaginei tendo um romance avassalador com um britânico loiro, lindo, rockeiro e caladão que fosse a pessoa mais incrível por apenas ser lindo mesmo, e estar ali do meu ladinho na fria e chuvosa cidade sonho da Europa (pelo menos para mim é um sonho).

Um pouco disso foi o que eu encontrei um “Love is in the air”, que não só de romance, mas também me alvejou de histórias lindas, inspiradoras e eróticas na medida certa.

Quando eu peguei essa antologia de contos para ler, fiquei empolgada por dois motivos: Eram apenas romances. Todos se passavam na minha amada Londres, ou ao redor dela.

O livro é composto por quatro contos MARAVILHOSOS, escritos por Eva Zooks, Tamires Barcellos, Catarina Muniz, Paola Scott e organizado por Beatriz Soares. Cada um deles conta uma história de amor que vai desde o que pode destruir e salvar uma vida, até aquele que ultrapassa as barreiras da morte, ou quase morte. As autoras conseguiram de forma realmente forte, me despertar sentimentos únicos com cada conto, e fazendo com que a personalidade e alma de cada uma delas estivessem ali em cada cantinho. E gente, olha essa capa! Merece um quadrinho na minha parede, HAHA! 

Eu ganhei até dois crushs literários novos! E olha que isso me pegou de surpresa mas foi uma surpresa boa, e quando vi já estava amando personagens como Henry Scott e Sebastian Wood (que convenhamos não são difíceis de amar, afinal, estão bem perto da pequena discrição que fiz no início da resenha) que são uns amorzinhos, e as personagens que fazem par com eles só fazem a gente amar mais as histórias.

Agora, o conto que mais me abalou as estruturas foi sem dúvida o amor avassalador, destruidor e restaurador de Richard e Elizabeth! Esse me arrancou suspiros, lágrimas, uns xingamentos e até mesmo quase tive vontade de quebrar meu pobre aparelho celular de tão nervosa que fiquei HAHA!

Se eu senti vontade de ler um livro inteiro de cada uma das histórias só para curtir mais os contos e os personagens? CLARO QUE SIM! Realmente, os contos não falam só sobre amor, mas também sobre assuntos mais que importantes como violência doméstica, vícios, perdão e liberdade, pontos que fizeram com que cada um tivesse sua carga (bem pesada) de conteúdo pertinente ao cotidiano de muitos, e servindo de alerta.

Por fim, acredito que “Love is in the air” está mais que indicado para TODOS! Os que amam romances e os que amam histórias que nos fazem pensar, nos identificar e talvez até enxergar coisas que não damos muita atenção normalmente... Então, apenas leiam esse livro! 

domingo, 25 de junho de 2017

O garoto do cachecol vermelho

Por: Débora Farias

“Spirit lead me where my trust is without borders
Let me walk upon the waters
Wherever you would call me
Take me deeper than my feet could ever wander
And my faith will be made stronger
In the presence of my savior” – Oceans – Hillsong United

Eu precisei esperar alguns meses para vir até aqui e montar essa resenha. Céus! Como eu chorei, sorri e o principal como aprendi com esse livro.

O livro “O Garoto Do Cachecol Vermelho” nos conta a história de Melissa (Mel) uma bailarina linda e sonhadora, mas que possui um grande problema em sua vida, a arrogância. Mimada desde sempre, Mel não aceita Não como resposta, e acaba tendo tudo o que deseja, e seu próximo alvo não é nada mais nada menos que uma das melhores faculdades de artes do mundo – Julliard. 

Sendo muito sincera, eu queria arrancar os cabelos da Melissa para ver se ela começava a crescer, e bem rápido! E parar de olhar para seu próprio umbigo e começar a olhar ao redor, mas no desenrolar da história começo a entender o porquê disso tudo e consigo até simpatizar com ela. 

Do outro lado somos apresentados ao Daniel (Dani Dani ou Vândalo – para os íntimos), um garoto doce, preocupado com as pessoas, amante de arte, que vive com um cachecol vermelho no pescoço e ainda para somar é lindo demais!! E além de tudo isso, ainda é músico – EU TENHO QUEDA POR MÚSICOS! HAHAHAH

A vida desses dois opostos se cruza em uma noite de ano novo, e o que eles não esperavam é que depois dessa noite a vida deles começaria a mudar... 

"Você me ensinou a amar. Obrigado pelas sapatilhas mágicas".

Daniel mostra a Melissa que a vida não é apenas uma caixinha de fósforo, ele mostra que outros detalhes são preciosos, que pessoas são mais importantes que objetos, e principalmente que ser feliz e espalhar felicidade e amor são ainda mais importantes.

Quem me conhece sabe que eu sou apegada a música e ao significado que cada letra possui em sua profundeza. E uma coisa que eu adorei no livro da Ana Beatriz foi o fato de que realmente senti que a cada música selecionada, ela pesou a profundeza de cada uma delas durante o enredo. E preciso dizer: Ana, muito obrigada por isso.

Esse livro não me mostrou apenas amor, ele me mostrou fé, esperança, força, coragem para enfrentar perdas, desafios e o principal: coragem para enfrentar a vida de frente. 

Eu indico a leitura a todos, mas principalmente para aqueles que já perderam a fé em si mesmo ou em buscar seus sonhos por mais impossíveis que eles se apresentam.