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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Clássicos de Quinta: Chapeuzinho Amarelo

Por: Claudio Jr



Um é bom, dois é excelente!

Chapeuzinho amarelo é o encontro de dois autores que merecem respeito! Com o texto de Chico Buarque e a ilustração de Ziraldo esse livro infantil encanta não só crianças como também adultos.


Chico Buarque de Holanda é poeta, compositor, cantor, teatrólogo, autor e escritor.  Ziraldo Alves Pinto, não fica por baixo! Além de artista gráfico, é também: Pintor, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, empresário, caricaturista e escritor. Com esse currículo não tinha como um livro sendo infantil ou não, ser menos que maravilhoso! 


Agora, Vamos à obra?

"Era a chapeuzinho amarelo
Amarelada de medo,
Tinha medo de tudo,
Aquela chapeuzinho já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada 
Nem descia.
Não estava resfriada 
Mas tossia
Ouvia conto de fada 
E estremecia.
Não brincava de nada
Nem de amarelinha.” 

Pense em uma menina medrosa! Pensou? Este ai um exemplo.
Chapeuzinho e uma menina que vive atormentada por seus fantasmas mentais, que no livro são representados por um "lobo", que apesar de ela nunca ter visto, tem total certeza de sua existência.

"Um lobo que nunca se via,
Que morava lá pra longe,
Numa terra tão estranha...
Vai ver que o tal lobo nem existia"

Por causa desse medo ao extremo a chapeuzinho se isola de sua vida social e do mundo,  assombrada pela nuvem negra do medo. Até que um dia de tanto temer o tal lobo ela o encontra. 

Fico pensando nesse enfrentamento, ela diante de seu maior pesadelo, diante de sua fobia, seu demônio mental. Como ela o enfrentou? Vale a pena ler pra saber.

A leitura dessa historia se torna doce e suave pelo tom poético que Chico Buarque transmite em cada frase da obra, juntando com cada ilustração de Ziraldo, que a cada pagina desenhou obras de arte merecedoras de um quadro para por na sala! 

Por várias vezes vi a chapeuzinho sendo nossa criança interior, que talvez a cada momento inventa um medo e se esconde dele. Afinal, por que nos esconder daquilo que não vemos? Ou temer algo que nem aconteceu?

No momento que ela encontra seu maior medo, sua visão muda, sua ideologia muda, inclusive sua convivência social e familiar se transforma. Como no inicio vimos "mesmo sem resfriado ela tossia", por já estar sendo afetada pelo medo e sem enfrenta-lo. 

Estar diante de nossos "lobos" psíquicos são necessários muitas vezes para nossa libertação e bem estar, pra aprendermos coisas sobre nós mesmos que nem imaginávamos estar lá, então mergulhem nessa poesia eu garanto que você pode gostar. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um milhão de mundos com você

Por: Débora Farias




“Como ficar de luto por uma versão de você mesma?”

Chegamos ao terceiro e último livro da trilogia Firebird, da autora Claudia Gray. E se você não leu os livros anteriores, por favor, clique nas resenhas aqui: Mil pedaços de você (Livro1) e Dez mil céus sobre você (Livro 2). Se você já fez tudo isso, ou se já leu os livros e surtou como eu. Seja bem-vindo mais uma vez ao multiverso.

Após aquele final gritante de Dez mil céus sobre você, nos encontramos em mais um desafio, nossa heroína Marguerite terá que lutar contra ela mesma, ou melhor, contra sua versão do Triadeverso, a carinhosamente apelidada por “Do Mal”. Imaginem uma versão sua tentando te matar em todos os universos com um único objetivo destruir toda e qualquer chance de salvação de todo o multiverso, Imaginaram? Bizarro né? Agora somem essa loucura a um relacionamento estremecido por culpa de uma fragmentação. Nossa Meg ta bem lascada!

Nesse livro temos o famoso tudo ou nada, ou salvamos o universo e suas inúmeras dimensões ou perdemos tudo, inclusive o amor de sua vida. 

No desenrolar das páginas conseguiremos entender os motivos da “Do Mal’ ser assim, os motivos que levaram o Tríadeverso a quase causarem o caos nas dimensões. E ainda descobriremos se existe ou não futuro para Meg e Paul. E se o nosso menino Theo será feliz.

Eu amei o livro inteiro, ele tinha toda a ação que um encerramento com esse merecia. E pausa para uma declaração: CLAUDIA GRAY QUE GANCHOS VOCÊ DEIXAVA! TENHA PENA DA LEITORAA! HAHA. 

Desabafos a parte, o que eu amei nesse livro não foi apenas o Multiverso, ou o fato de ser o momento de triunfo ou derrota de uma heroína. O que eu amei nesse livro foi vermos não apenas a “Viajante Perfeita”, nele nós conseguimos ver de forma palpável, a Meg de 18 anos, apaixonada, amedrontada, petulante, guerreira e corajosa. 

Claudia Gray foi simplesmente incrível com esse livro. Um milhão de mundos com você soube costurar tudo isso, soube traçar o futuro não só de nossos protagonistas como de todos os secundários que faziam parte da história. Claudia não deixou nenhuma ponta solta, todas as pontas que existiam no desenrolar da série, são de fato seladas neste volume. 

O incrível dessa trilogia, é o fato dela nos mostrar que o mundo pode estar acabando ao nosso redor, mas quem tem o controle do nosso futuro, são as nossas escolhas, nossos sentimentos, nossas crenças e  nosso caráter.

 Me despeço dessa trilogia com gosto de saudades e acima de tudo grata por ser apresentada a um universo totalmente novo e a esses personagens incríveis.


Cartas Para Uma Falsa Dama

Por: Camila Santos

"Fora por mero acaso que a escolhera. Céus, como tivera sorte! Pensar numa vida, num futuro sem ela era insuportável. Uma tortura! Tristan não fazia ideia de como ela fazia isso, mas, por vezes, apenas por estar na companhia de Francesca, o mundo se ajustava. "

Já começo essa resenha dizendo que ganhei mais um crush literário e a piriguetagem não para! Vocês sabem que aqui no Um livro, por favor?, os romances de época são sempre amados e acarinhados não só por todo o cortejo dos amantes, mas também porque adoramos sofrer com as complicações que eles passam pra poder chegar ao final feliz. 

Em "Cartas para uma falsa Dama" não foi diferente comigo e eu só tenho amores por esse livro. Ele conta a história de amor entre Tristan e Francesca, um casal que apesar de já estarem casados, não se veem há dois anos. 

Francesca, uma moça completamente apaixonada, escreve constantemente cartas a seu marido sem ser correspondida durante esses dois anos em que ele esteve fora a mando do ducado, pelo menos é nisso que ela acredita. Até que um dia Tristan volta a sua vida, e não é com boas notícias. Porém essa situação triste pode quem sabe salvar o casamento que eles imaginavam estar por um fio.

Não que uma simples viagenzinha juntos vá concertar o turbilhão de "poréns" e maus entendidos que esse tempo afastados causou entre os dois – e eu sinceramente adorei como um completa o outro em personalidade. Sabe aquele ditado "Os opostos se atraem"? Gente, eles dois são a tradução dessa frase, e são tão fofos que me peguei tendo um crush na Francesca também, Jesus me acode! Ela é uma doçura de personagem, inclusive, meu oposto. (Sorry sociedade, KKK) 

A escrita da Carol é bem tranquila, fluida e fácil de acompanhar, apesar disso consegue te prender de uma forma que você não imagina. Eu li o livro em 3 dias, gente! 3 DIAS!

Se você não tem o hábito de ler livros de época eu super indico esse como um exemplar pra se iniciar essa paixão, leiam em um fim de semana também, porque vocês não vão querer parar um segundo, e SE JOGA! 


Imperfeito

Por: Camila Santos   

“Isso que eu quero para mim? Viver escondido? Correr o risco de ser espancado como esse garoto? Eu quero virar alvo de piadas e ódio onde quer que eu vá? Esses pensamentos invadem minha mente de uma só vez e sinto uma pontada de dor. Não só na cabeça, mas também no peito. Eu não quero essa vida para mim... Eu não posso ter essa vida.”

Antes de me apresentarem o livro Imperfeito eu ainda não conhecia o Robson, e acredito que o conheci em grande estilo! 

O livro conta a história de Daniel, ou Dani para os íntimos, um garoto que mora na Zona Sul de São Paulo e como todos os adolescentes está se descobrindo e aprendendo como a vida funciona.

Quando começamos a leitura já damos de cara com uma situação que nos diz sobre do que se trata o livro, e talvez até choque um pouco o leitor. Sem dúvidas, explica o conflito a ser tratado no decorrer da história e vou dizer a vocês que nunca tinha lido um livro com o tema a descoberta da homossexualidade, e tudo o que envolve esse assunto o Robson teve a delicadeza de nos dizer através dos olhos do Dani. 

O enredo se desenrola entre as primeiras situações, sentimentos conflituosos, dúvidas, preconceito e principalmente os medos que cercam toda essa descoberta e aceitação de si mesmo e das pessoas em volta do personagem. 

A escrita do Robson me encantou bastante, a forma como ele contou os pontos por onde Daniel passou me tocou de tal forma, que eu me peguei chorando (muito) em diversas partes do livro, sempre que ele narrava um acontecimento difícil. Sou muito chorona! HAHA! 

Eu fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de ler esse livro, e de escrever sobre ele, só para dizer o quanto eu amei e me emocionei, e por todas as vezes que quis colocar Daniel no colo e dar muito amor a ele! KKKK 

Esse livro merece ser lido, por todos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Quinze

Por: Cláudio Jr.

“Teve um súbito desejo de emigrar, de fugir, de viver numa terra melhor, onde a vida fosse mais fácil e os desejos não custassem sangue.”

“O quinze” foi a grande estreia da escritora Raquel de Queiroz em 1930, e sua escrita foi tão impactante que deixou até Graciliano ramos, autor de  "vidas secas", totalmente de queixo caído. O motivo é porque ele, assim como outros, não imaginariam que uma mulher iria conseguir estruturar uma obra tão bem feita e detalhista para sua época, conquistando o reconhecimento na academia brasileira de letras. 

Vamos conhecer essa obra?

Imaginem o sertão do século XX, especificamente no ano de 1915, onde houve uma seca devastadora  na região nordeste do Brasil. Imaginou? Então é para esse cenário que Raquel de Queiroz irá nos transportar, para uma época de fome, miséria, desespero e fé do sertanejo de que um dia tudo ira melhorar, nos fazendo conhecer um pouco a região e toda cultura local.

A história tem três personagens em destaque: Conceição, Vicente e Chico Bento. Cada um com suas respectivas famílias, que com três realidades diferentes, vemos o enredo ser trançado com cada grupo lutando para sobreviver no sertão. E sim! Claro! Tem que haver um típico romance de sertão.

Conceição é uma menina da cidade de fortaleza. Muito educada e com a mente aberta, estuda até mesmo os direitos políticos da mulher. Ao sair da cidade para visitar sua avó no interior, ela encontra Vicente que é o oposto dela, um homem rude, forte, ignorante quanto a cultura, e que se dedica  a criação de animais na fazenda do logradouro no Quixadá Ceará. Enquanto ela tenta convencer sua avó a deixar o sertão devido a seca, ele não quer deixar seu lugar para ir para cidade e tenta de tudo para salvar seu gado. Dois opostos, um prefere a cidade é o outro o sertão... Porém ambos possuem um sentimento profundo. Como deve ser o fim desse amor proibido e impossível? 

Logo em seguida temos a história de Chico Bento, um vaqueiro que vive com sua família  e trabalha cuidando dos animais, porém a dona das terras começa a soltar os animais graças à fome que estava matando todo o gado. Chico Bento então se vê obrigado a sair do sertão com sua família em busca de uma vida melhor, porém pela falta de "grana" meu povo, ele faz toda a viagem do interior até a capital do Ceará na "viação canela" e nesses quilômetros de estrada ele e sua família sofrem pelo sol extremamente forte, a fome e outros obstáculos pelo caminho.

Raquel consegue narrar com maestria e de forma tão vivida um cenário que se prolonga até hoje nessas regiões, com uma população vivia a base da terra se vê obrigada a abandonar tudo devido aos problemas climáticos e sem condições nenhuma, terá que sobreviver frente aos desafios de uma cidade grande. 

Outro ponto importante a destacar é a reflexão sobre o desperdiço da água que nós fazemos, onde para uns deixar uma torneira ligada não faz a menor diferença, mas para outros essa quantidade de água leva dias para se conseguir. Vale a pena conferir essa jornada de superação, sobrevivência e fé.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Garoto do Sonho

Por: Camila Santos 


Qual a nossa missão no mundo? Porque vivemos e com qual propósito? É por aí que começa a "discussão" de O garoto do sonho do Youtuber, blogueiro, pessoa colorida linda e ator Erick Mafra. 

Ok, como é que o livro fala sobre isso?

Da forma mais fofa e descontraída possível. Através da personagem Maria Clara, uma garota comum, igualzinha a nós que acabou de entrar de férias do ensino médio, e já se depara com a situação trágica do coração humano logo no primeiro dia de suas férias. Depois disso Claire, como é chamada pelos amigos, começa a se questionar sobre esses porquês que a gente hoje custa a achar uma resposta. Nessa noite, ela tem um sonho com um garoto de outro planeta, de cabelos azuis, rosa e roxo, que se chama Eryn. 

Junto com Koy, Nay e Cyn, Eryn por sua vez, veio para a Terra pra trazer a "Nova Cultura" – uma forma de viver a vida seguindo as leis imutáveis do Amor. Sim gente, O Amor. Amor ao próximo, e a TODOS! Sem preconceitos, maldade, desconfianças, apenas amor. 

Eu encontrei muitas coisas incrivelmente inspiradoras e que me fizeram pensar em como eu mesma via e vivia minha vida e minha relação com as outras pessoas. Fazendo refletir até comigo mesma nos momentos em que se falava sobre se aceitar e ser quem você é, sem medo e sem mentiras. Na "Nova Cultura" não tem espaço pra mentira! 

Eu li super-rápido, a escrita do Erick foi bem divertida, e passei algumas horas dentro de uma história que tinha tudo a ver com os questionamentos e pensamentos que tinha durante a adolescência... E que até hoje passam pela cabeça de muita gente, sem que sejam exatamente respondidos. 

O livro num todo é uma graça, desde a capa com a foto do Erick/Eryn, até as milhares de imagens lindas que tem dentro do livro, além da parte interativa no final. Gente pensa em um trabalho feito com carinho? Então, você sente isso no livro! <3. 

Pra finalizar, eu vou dizer uma coisa: Se você for ler, leia esse livro de coração aberto de verdade, ele é lindo se você estiver disposto a dar uma chance às palavras, sem os preconceitos. 

Eu te <3 infinito! 


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Clássicos de Quinta: A Moreninha

Por: Ingrid Moreira e Débora Farias



Sabe aquela leitura obrigatória de escola que ninguém quer ler, mas precisa porque tem que fazer prova? HAHAHA Então, no meu caso foi no ensino médio e tínhamos que fazer uma apresentação sobre o livro lido - SIM, EU TIVE QUE DANÇAR HAHAH, MAS OK! - Então vamos do clássico A Moreninha!

Pensem em um cara com uma casa lotada de primas e uma irmã no feriado, sozinho. Pensaram? Esse é o drama de Filipe até ele usar de inteligência... Vou explicar...

Com o objetivo de passar o feriado de Sant'Ana com seus três amigos - Augusto, Leopoldo e Fabrício -  Filipe usa de perspicácia e com segundas intenções suas primas e irmã para convencer seus amigos a não o deixarem em uma ilha rodeado de meninas chatas sozinho na casa de sua avó Dona Ana.

O problema é que Augusto - o conquistador - fica com o pé atrás em relação a viagem e o que o espera por lá. Para move-lo de sua recusa, Filipe propõe uma aposta ao seu amigo galanteador.

Se em quinze dias Augusto se manter constante com uma só mulher ele terá que escrever um romance, caso o contrário, Filipe terá que escrever.

O desafio para o dito "o pegador" levanta duvidas durante boa parte do livro. Afinal, será que ele manterá sua promessa e será fiel à apenas uma mulher?

Como não amar a irmã do Filipe gente? HAHAHA Carolina, a protagonista dessa história, consegue roubar a cena com suas loucuras, meiguices e artimanhas, que deixará um certo galanteador de cabelo em pé durante o feriado! 

Durante a leitura mergulhamos em um período abarrotado de festas, onde se é possível sentir a forma como a sociedade era regida naquela época, inclusive  na forma de escrita . Algumas vezes, me vi meio perdida devido ao uso do português - PALAVRAS ANTIGAS E DIFÍCEIS! -  HAHAH

O amor retratado nesse livro, é um dos mais puros que podemos lembrar... Em que  toda a moralidade presente na época é descrita com detalhes, não deixando a desejar. Conforme somos apresentados aos personagens secundários, é impossível não darmos boas gargalhadas, além de não resistirmos a essa envolvente e  desastrosa aposta,  em como o incorrigível Augusto se manterá incorrigível frente a nossa Moreninha.

Escrito por Joaquim Manoel de Macedo, teve seu marco na literatura nacional como o primeiro romance publicado em 1844, e sem dúvidas, posso declarar que se você é brasileiro necessita ler essa obra, pois é daqueles livros clássicos que todos os leitores que adoram um bom romance deveriam ler.