terça-feira, 1 de novembro de 2016

O amor nos tempos do ouro

Por Ingrid Moreira




“Acho que nunca me senti tão desafiada e confiante. Usar a criatividade é gostoso. Casá-la com estudos e pesquisas é melhor ainda. Um viva aos historiadores!" - Marina Carvalho.

Quando li o título achei que era para mostrar uma história de amor repleta de glamour e beleza vista desse século, porém a história se passa literalmente na época da exploração de Ouro no Brasil. Devo tirar o chapéu.. ou seria a touca hahaha. Pois esse romance histórico nacional me encantou da primeira a última página.

Eu gamei no fato de que cada capitulo é iniciado com um poema, eu achei tão..tão... EU NÃO TENHO MATURIDADE NEM PARA EXPRESSAR *--*

Com uma riqueza de detalhes, Mariana Carvalho ilustrou um romance numa época dolorosa que muitos não gostam de lembrar hoje. A escravidão, exploração de pessoas e da terra, são cenários dessa trama narrada principalmente em terceira pessoa, sobre uma jovem que durante toda sua vida teve um modo de vida onde podia se expressar livremente com sua personalidade mais flexível (considerando a época retratada), porém devido há uma catástrofe ela acaba tendo que sair de sua amada França para o Brasil.

E é no Rio de Janeiro que Cécile Lavigne tem o inicio de sua jornada pelo País, e o seu baque vêm ao ver as cenas de descaso, dor e sofrimento que passa ao seu redor, sem crer que um ser humano pode ser diferenciado pela cor. Graças ao seu horrendo tio, ela é obrigada a fazer uma viagem à Minas Gerais, para se casar com o homem mais asqueroso que ela poderia imaginar.

Como “guarda costas” ela terá Fernão, um homem que passou por sofrimentos desde criança e aprendeu do modo mais difícil a sobreviver, fazendo serviços e acordos que nem sempre eram considerados de boa índole. Tendo como seu último serviço escoltar essa jovem, ele jamais imaginaria que sua vida estaria para ter um novo começo.

"O chicote estalou nas costas dele, rasgando-lhe a pele já marcada por castigos constantes. A ferida aberta fez o sangue jorrar, logo misturado com a sujeira do couro e a poeira do ambiente.”

Cenas como essa permeiam todo o enredo, nos fazendo aprender e sentir mais como foi viver naquela época. Ler livros fofos, e com finais felizes são ótimos, mas as vezes precisamos aprender um pouquinho da realidade, para aprendermos a valorizar nossa vida. Uma pessoa que sabe o que é passar fome, dar valor à qualquer alimento, não que seja generalizado, mas muitos ignoram as coisas simples da vida, estamos tão obcecados no ter, no caro, no perfeito, que as vezes o simples céu “aberto” pode deixar seu dia tranquilo e em paz.

Percebi que deve ter dado um belo trabalho escrever esse livro, pois ao ler podemos ver a descrição da época, linguagem, costumes, diferenças entre povos, tudo para fazer o mais realista possível. Aqui você não encontrará só um romance que nem os livros no estilo de época, irá esbarrar nos fatores históricos, tornando essa obra forte.

Para quem adora História, foi maravilhoso ter esse pedacinho nacional tão rico em detalhes, e ao mesmo tempo, um triste ponto histórico de nossa nação numa narrativa. 

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