segunda-feira, 10 de abril de 2017

Noites do Sertão

Por: Ingrid Moreira



“A felicidade é o cheio de um copo de se beber meio-por-meio.”

Noites do sertão são dois enredos onde temos a predominância da sexualidade durante o enredo.

Em Dão-lalalão conhecemos Soropita, um ex-matador famoso que deseja se livrar desse nome e decide se tornar fazendeiro e para complementar sua "nova fama" decide se casar, porém a companheira escolhida é Doralda, uma mulher "da vida", que possui um passado obscuro e cheio de histórias. E quando parece que o casal feliz está com a vida perfeita e nos trilhos, um velho amigo de Soropita - Dalberto - precisa de um abrigo, pois estava passando pelas redondezas e seria mal-educado não convida-lo como hospede, porém devido a uma pulga atrás da orelha de seu amigo já ter conhecido sua esposa, Soropita teme que o passado dela volte à tona e acabe com sua reputação somando a seu ciúme, teremos um jogo de intrigas, ciúmes, amizades abaladas, e até tentativa de assassinato. 

“Tudo o que muda a vida vem quieto no escuro, sem preparos de avisar. ”

Na segunda história de Buriti, temos a presença de Miguel, um personagem de histórias anteriores que retorna já adulto a fazenda do Buriti-Bom, agora um médico, relembrando todos os passos que teve naquele lugar.   Preenchendo essa composição temos Iô Lidoro – um rico fazendeiro que adora uma “ farra”, dona Lalinha - sua nora, Maria da Glória e Maria Behú - filhas de Lidoro, e por fim Chefe Zequiel – um homem que tem certo medo de dormir à noite.  E nessa fazenda teremos o envolvimento de várias pessoas, com um cenário de voltado a sensualidade. Em suma, temos uma suruba nesse lugar!! Podemos dizer que quando o sol se põe os “fantasmas” saem para fazer a festa....

“Sempre a gente tem mais fogo do que juízo. ”

Com uma escrita erótica, e com inovação na linguagem, temos o trato da sensualidade acima dos preconceitos e das regras da época. É uma obra bem detalhista, com personagens complexos, mostrando o "eu" de cada personagem, com as descrições das paisagens do sertão. A história demora a dar uma guinada, para iniciantes talvez achem a leitura cansativa, porém para os amantes dos clássicos nacionais irão apreciar essa obra escrita por Guimarães Rosa.


“As palavras não se movem tanto quanto as pessoas.”

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