segunda-feira, 10 de abril de 2017

Wicked

Por: Ingrid Moreira


Em minha infância quando assistia o mágico de OZ sempre pensei na pobre Dorothy e seu cãozinho quando são pegos pelo furacão e vão parar na Terra de OZ. Temos em nossa lembrança, um mágico que ajuda o povo e uma bruxa má que faz de tudo para atrapalhar nossa menina. Em Wicked, iremos conhecer a real história da Bruxa má do Oeste, Elfaba, e como ela ganhou esse título e veremos que esse mágico talvez não seja tão “bonzinho” assim.

A narrativa conta a história desde a infância de Elfaba, uma menininha verde com dentes pontudos que passou por todos os tipos de preconceito ao longo de sua vida. Nela presenciamos uma família problemática, com uma mãe adultera, um pai preso à religiosidade e em meio a esse caos temos uma garota que é negligenciada por sua própria mãe, tentando “sobreviver” a essa situação, engolindo sapos e enfrentando desde jovem a dureza da vida.

Ao conhecer seu mundo, os amigos que ela vai conquistando na faculdade, e sua ligação com Glinda (rainha boa do norte), vamos descobrindo como duas mulheres que eram melhores amigas, tomaram rumos totalmente diferentes.

Durante toda a trajetória (infância, adolescência, rebeldia, busca pelos seus ideais, redenção, e sua caça a Dorothy) iremos ver como os temas abordados no livro (política, preconceito, manipulação, religião, desafios frente a mudanças de uma nação) irão transformar uma pessoa incompreendida em meio a essa sociedade caótica. Com críticas lançadas durante a narrativa, temos uma escrita mais adulta e reflexiva, algo totalmente oposto do nosso clássico conto da menina do sapatinho vermelho.

O começo do livro é meio arrastado devido às descrições da vida de Elafaba, porém conforme vamos avançando na leitura não conseguimos mais desgrudar das páginas, vamos conhecendo sua trajetória, sua personalidade forte que não fica calada e vai à luta pelos seus ideais, somando uma gama de personagens como Glinda, Boq, Fiyero e Nessarose – a irmã mais nova da nossa personagem principal – que vai transformando esse emaranhado de informações, construindo uma obra maravilhosa escrita por Gregory Maguire, onde começamos a ver o outro lado da moeda e entendendo um pouco o lado de uma das vilãs mais conhecidas de nossa infância.

Achei a obra maravilhosa, com uma escrita rica, Maguire constrói um enredo sem afetar a trama original, nos mostrando que nem tudo é o que parecer ser, temos que cavar e descobrir o que ou quem levou a pessoa a ser como é, vemos que o bom pode não ser tão perfeito, presenciamos um governo roubado, leis que afetam um grupo da população, fazendo com uns vivam com medo e outros entrem nessa dança desgovernada e cheia de confusões.  

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