quinta-feira, 6 de julho de 2017

Clássicos de Quinta: A Espiã

Por: Cláudio Jr.




Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim, mas, caso isso ocorra, que jamais me vejam como uma vítima, mas sim como alguém que deu passos corajosos e pagou sem medo o preço que precisava pagar.”

O livro se inicia deixando bem claro a força dessa lenda que se tornou Mata Hari, trazendo uma ficção sobre sua biografia, mostrando a trajetória de uma mulher que por dançar e se envolver sexualmente com militares de sua época, chamou a atenção de muitos a ponto de ser considerada uma espiã. Condenada então ao fuzilamento em outubro de 1917.

Ainda hoje o governo francês não divulgou os documentos de seu julgamento deixando a icognita de sua culpa ou inocência, para a consciência dos que buscam sua historia. Porém, confesso que fiquei encantado com essa mulher desde o inicio do livro que relata a personagem colocando suas meias longas pretas e se vestindo com total elegância para sua execução.


Paulo Coelho nessa narrativa não perdeu a sua essência e traz bastante filosofia, reflexões, e culturas que enriquecem seus textos e te levam a viajar em uma leitura inteligente, e calma, mostrando também lugares  e suas belezas e costumes do povo local...

Em “A espiã” ele mostra uma mulher forte que a todo tempo  luta para fazer o que sonha, almeja e quer, que quando contrariada ‘bate o pé’ e segue o seu propósito. E sobre sua condenação, como ela mesma fala na pag 26, que foi condenada por ser uma mulher “emancipada e independente em um mundo governado por homens.”

A narrativa é toda em primeira pessoa, fazendo com que mergulhemos em sua mente, sorrindo  em seus momentos felizes, questionando-nos em sua busca por respostas e totalmente feministas em busca por liberdade de expressão sem o peso hipócrita de conduta social, dentro de tudo isso entramos em sua angustia desde o inicio onde ela inicia sua carta desabafando sua história  a espera da execução que  ela confessa, na pag 28, ter tido pena de si mesma e chorado em silencio.

Quando li a sinopse do livro eu esperava que fosse falado mais sobre o ambiente em que ela e o mundo estavam naquele período de primeira guerra, porém o livro e voltado para sua jornada, angustia e  todo discurso feminista que traz força a essa mulher poderosa que morreu no salto e elegância do século 20.

Um comentário:

  1. Excelente! Muito bem colocado o resumo do livro junto à sua opinião. Parabéns!!

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