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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Quinze

Por: Cláudio Jr.

“Teve um súbito desejo de emigrar, de fugir, de viver numa terra melhor, onde a vida fosse mais fácil e os desejos não custassem sangue.”

“O quinze” foi a grande estreia da escritora Raquel de Queiroz em 1930, e sua escrita foi tão impactante que deixou até Graciliano ramos, autor de  "vidas secas", totalmente de queixo caído. O motivo é porque ele, assim como outros, não imaginariam que uma mulher iria conseguir estruturar uma obra tão bem feita e detalhista para sua época, conquistando o reconhecimento na academia brasileira de letras. 

Vamos conhecer essa obra?

Imaginem o sertão do século XX, especificamente no ano de 1915, onde houve uma seca devastadora  na região nordeste do Brasil. Imaginou? Então é para esse cenário que Raquel de Queiroz irá nos transportar, para uma época de fome, miséria, desespero e fé do sertanejo de que um dia tudo ira melhorar, nos fazendo conhecer um pouco a região e toda cultura local.

A história tem três personagens em destaque: Conceição, Vicente e Chico Bento. Cada um com suas respectivas famílias, que com três realidades diferentes, vemos o enredo ser trançado com cada grupo lutando para sobreviver no sertão. E sim! Claro! Tem que haver um típico romance de sertão.

Conceição é uma menina da cidade de fortaleza. Muito educada e com a mente aberta, estuda até mesmo os direitos políticos da mulher. Ao sair da cidade para visitar sua avó no interior, ela encontra Vicente que é o oposto dela, um homem rude, forte, ignorante quanto a cultura, e que se dedica  a criação de animais na fazenda do logradouro no Quixadá Ceará. Enquanto ela tenta convencer sua avó a deixar o sertão devido a seca, ele não quer deixar seu lugar para ir para cidade e tenta de tudo para salvar seu gado. Dois opostos, um prefere a cidade é o outro o sertão... Porém ambos possuem um sentimento profundo. Como deve ser o fim desse amor proibido e impossível? 

Logo em seguida temos a história de Chico Bento, um vaqueiro que vive com sua família  e trabalha cuidando dos animais, porém a dona das terras começa a soltar os animais graças à fome que estava matando todo o gado. Chico Bento então se vê obrigado a sair do sertão com sua família em busca de uma vida melhor, porém pela falta de "grana" meu povo, ele faz toda a viagem do interior até a capital do Ceará na "viação canela" e nesses quilômetros de estrada ele e sua família sofrem pelo sol extremamente forte, a fome e outros obstáculos pelo caminho.

Raquel consegue narrar com maestria e de forma tão vivida um cenário que se prolonga até hoje nessas regiões, com uma população vivia a base da terra se vê obrigada a abandonar tudo devido aos problemas climáticos e sem condições nenhuma, terá que sobreviver frente aos desafios de uma cidade grande. 

Outro ponto importante a destacar é a reflexão sobre o desperdiço da água que nós fazemos, onde para uns deixar uma torneira ligada não faz a menor diferença, mas para outros essa quantidade de água leva dias para se conseguir. Vale a pena conferir essa jornada de superação, sobrevivência e fé.

2 comentários:

  1. Lindo trabalho. A literatura brasileira merece este espaço na vida da nova geração. Ainda mais em uma obra que revolucionou a forma como a mulher era vista nesta época. Gambare

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  2. Boa reflexão! E é interessante ver como alguns problemas existem desde o início do século passado ( a seca e o desperdício de água, por ex). Será que é tão difícil assim de se resolver ou é ma vontade de nossos administradores? Que país é esse?
    Parabéns pele texto!

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