sábado, 26 de agosto de 2017

Perguntem a Sarah Gross

Por: Ingrid Moreira


"No fundo, Auschwitz era assim e, enquanto o mundo rodasse ao contrário, as histórias de sobrevivência continuariam a ser escritas com sangue e lágrimas."

Com uma narrativa dessas, a Leya soube me pegar de jeito!

O enredo é centrado em duas mulheres fortes que guardam segredos dolorosos de seu passado. A  primeira é Kimberly Parker, é uma professora de literatura que acaba de conseguir uma vaga muito concorrida na St. Oswald’s, Inglaterra, para trabalhar. Já a segunda, é uma mulher misteriosa, que não se deixa vencer pelos preconceitos e barreiras impostas pela sociedade atuando como diretora desse famoso e elitista colégio tradicional, a judia Sarah Gross.
Durante a leitura vamos nos envolvendo com a história dessas duas mulheres, e enquanto a jovem professora está se adaptando a nova vida no colégio - e vê nisso uma fuga para superar seus fantasmas - ela não esperava que uma tragédia abalasse as estruturas desse lugar, e quando um passado bate à porta, iremos mergulhar junto com Kimberly numa história brutal da qual muitos se esqueceram...
Durante a narrativa viajamos no tempo e andamos lado a lado com a pequena Sarah e sua família. Somos apresentados a sua trajetória enquanto ela presencia sua querida cidade, que costumam chamar de Oshpitzin, se transformar em Auschwitz - um dos maiores campos de concentração na Polônia. Vemos pelo o que o povo Judeu passou nas mãos dos nazistas e as mudanças que causaram na vida de uma nação. 
"A primeira palavra vai para os vários sobreviventes de Auschwitz que, ao longo de tantas horas, me explicaram como enganaram a morte. Dois deles, Sofia Lyz e Kazimierz SmoleD, já não estão entre nós, o que nos alerta para uma realidade intransponível: dentro em pouco já não será possível ouvir falar de Auschwitz na primeira pessoa."

Como não me apaixonar por relatos históricos?
Esse livro é daqueles que te fazem refletir como um ser humano consegue manter sua sanidade  mesmo depois de tantas atrocidades que vivenciou, provando assim ser um verdadeiro sobrevivente. Vemos o holocausto, um dos piores momentos que o mundo pode recordar e choramos ao ler cenas tão marcantes, que nos fazem mergulhar de cabeça no livro.
Lidamos com a perda, preconceito, guerra, superação, e muitos outros sentimentos e sensações que o autor nos presenteia. Sua escrita é tão envolvente e tão bem amarrada que parece que estamos ao lado dele nesse cenário nos contando cada momento.
Com uma revelação impactante, você acaba tendo que voltar algumas páginas para ver se é realmente aquilo mesmo que você leu. Sem dúvidas essa obra entrou para o meu arquivo literário e é claro que João Pinto Coelho conseguiu deixar sua marca na literatura!

“Ergue os olhos e contempla o céu: é um cemitério, um cemitério invisível, o maior da história." - Elie Wiesel, The Holocaust, Voices of Scholars.

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