quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Clássicos De Quinta: A Legião Estrangeira





"As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu ter dito."

Clarice Lispector entendia muito bem a complexidade das palavras, e como elas podem expressar o que somos e sentimos, é muito fácil encontrar autores que definam o perfil superficial de um personagem, em alguns casos tentando nos mostrar inclusive seus medos e anseios, mas mergulhar na alma do personagem? Poucos demonstram a maestria dela nesse assunto.
A Legião estrangeira é mais um livro de contos onde Clarice mostra a cada um de nós a complexidade de nós mesmos. Nossos pensamentos confusos e tortuosos, traumas talvez que nunca vivenciamos  mas que em seus textos somos capazes  nos colocar no lugar do outro. Eu consigo facilmente imaginar Clarice sentada em uma poltrona com seu cigarro  na mão  nos contando naquele sotaque húngaro suas histórias e reflexões.

Tive esse pensamento logo no início, com o primeiro conto "Desastres de Sofia" que mostra em um tom nostálgico alguém que lembra de sua infância e fala de um professor que mesmo um pouco assustador a conquistava e desafiava, a fazendo ficar inquieta e tentada a provoca-lo, porém também triste com sua partida dessa vida.

Já em "A repartição dos pães" me imaginando uma família que antes sofrerá um "holocausto" e hoje, vivia seu "sábado" de mesas fartas e abundantes, trazendo a seus personagens lembranças, timidez e até uma certa dose de medo.

Vale a Pena aproveitar cada detalhes dessa obra onde Clarice consegue explorar todo tipo de linguagem, conhecimento e percepção, infiltrando seu tom poético a complexidade da mente humana.

Boa leitura!



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