sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sr. Daniels



Se existe uma coisa que toda leitora e todo leitor sabem, é que homem perfeito e mulher perfeita só existem entre as páginas dos livros, mas, meu Deus do céu! O que Brittainy C. Cherry criou nesta história chega muitíssimo perto da perfeição. Eu te desafio a não querer um Daniel ou uma Ashlyn em sua vida, mas não levem apenas a minha palavra em consideração: leiam a história e tirem suas próprias conclusões! (E depois me agradeçam pela dica)



Nossa narrativa alterna entre os pontos de vista de Ashlyn e Daniel, mas a mocinha é quem narra a maior parte, já que sua tragédia pessoal mais recente – a perda de sua irmã gêmea, Gabrielle, para a leucemia – é a força motriz que move praticamente todos os personagens. Com a mãe enlutada e sem a menor condição de lidar com a outra filha, tão devastada quanto ela, Ashlyn é enviada para o Wisconsin a fim de morar com o pai ausente e sua nova família. No colo, o último presente de sua irmã: uma caixa com cartas a serem abertas após cumprir tarefas de uma lista que vai desde beijar um estranho a finalmente perdoar os erros de seu pai. 

Na estação de trem, ela cruza olhares com um belo rapaz de olhos azuis e a conexão entre os dois é palpável. Convidada por ele para ver sua banda tocar, o jovem casal não faz a menor ideia de que depois de um sábado romântico e cheio de cumplicidade, se encontrariam na escola da pequena cidade em posições impossivelmente opostas: aluna e professor.

O que poderia se tornar num enorme clichê, apenas mais um romance escolar proibido, é transformado em uma bela história cheia da literatura de Shakespeare, paixão em comum do casal e de reviravoltas e questões pessoais envolvendo não apenas os protagonistas, mas todos que com eles se relacionam. Tudo embalado num drama romântico convincente, apaixonante e sem o batido recurso do triângulo amoroso, o que é um alívio bem-vindo. Daniel Daniels e Ashlyn Jennings são o tipo de casal que entrariam nas listas de melhores casais de literatura para jovens adultos facilmente!

Contudo, o livro não foca apenas no romance, porque o que liga Ashlyn e Daniel não é apenas uma atração física imediata, mas o reconhecimento tácito entre duas almas gêmeas no sofrimento, dois jovens perdidos em seus mundos internos – uma nos livros e um na música –, tentando encontrar uma maneira de viver depois de todas as pancadas que a vida lhes deu em tão pouco tempo. Eles dois conseguem ser eles mesmos quando estão juntos, até nos piores momentos de luto, de raiva e impotência diante da perda. Não há necessidade de usarem as máscaras sociais do “estou bem”, pois não há problema em não estar bem e isso é um bálsamo nos corações tão machucados de nossos protagonistas.

Além de presenciar esse amor desabrochando e amadurecendo, a autora também nos faz acompanhar as diferentes lutas de Ashlyn: cumprir os últimos pedidos de Gabby e a leitura das comoventes e engraçadas cartas; suas tentativas de reparar seu relacionamento complicado com o pai,diretor de sua escola e de luto pela filha que nunca conheceu de verdade; a relação com a mãe à distância e o dia a dia com a madrasta... Assistimos também a espinhosa relação de Daniel com seu irmão Jace e todos os traumas familiares dos Daniels (mais não posso dizer, ou seria spoiler!). Tudo isso entrelaçado por pertinentes trechos das músicas da fictícia banda Romeo´s Quest.

Nos apegamos igualmente ainda à Henry e Hailey, irmãos postiços de Ashlyn, e melhores companheiros de quarto/de casa/de colégio/de vida que uma garota poderia desejar. Suas lutas e dificuldades não ficam em segundo plano e podem esperar a sensação de ter o coração esmigalhado: é um romance, mas não um conto de fadas da Disney!

A já característica intensidade de Brittainy C. Cherry me levou a voar pelas páginas e a sentir uma dolorosa “ressaca literária” quando fechei o livro, já que Sr. Daniels é volume único. No entanto, essa também é a beleza de se apaixonar por homens e mulheres de papel: eles estão sempre nos esperando revisitá-los e nos tocar com suas histórias e sensações, todas e quantas vezes quisermos ou precisarmos. 








Um comentário:

  1. Aí, que linda!!!

    Estou looooouca pra ler esse livro é agora lendo sua resenha fiquei mais curiosa ainda! Pra vc ter ficado de ressaca, o livro é bom mesmo, hein?! Hahahahah Amei sua resenha, super sincera e transparente. Quero mais!

    Beijos

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