quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Clássicos De Quinta: Diário De Anne Frank





Nunca vi um presente de aniversário dar tão certo, e acabar se tornando o refúgio particular desse alguém. 

Confundi todo mundo, né? O livro que falaremos nesse clássico é uma das obras que mora no meu coração, algo que foi um presente pra mim, mas que começou a ser escrito após um presente humilde e simples de um pai para sua filha. O livro que falaremos nessa semana é, nada mais nada menos, que O Diário de Anne Frank. 

Mas quem?

Anne é uma garotinha que viveu na época da Segunda Guerra Mundial e, basicamente, o livro todo se passa nesse período traumático do domínio nazista. Antes da guerra, Anne era apenas uma menina com uma irmã mais velha e seus pais estruturados, com uma vida bem comum: ela tinha amigos, ia pra escola com a irmã, seu pai trabalhava e sua mãe cuidava delas e da casa. Mas, a vida dela e da sua família muda da água para o vinho no momento em que Hitler toma o poder de Amsterdam, na Holanda, no estopim da Guerra em 1942. “Tá, Débora, mas o que isso influencia tanto na vida dela? Era só não sair de casa”, você pode estar pensando aí. Errado. O problema da família Frank aos olhos do governo nazista era única e exclusivamente serem judeus. 

Lembram de como eles foram caçados e enviados para campus de concentração, sem esperança alguma de saírem vivos de lá? Bem, era disso que a família estava tentando fugir e após receberem uma recusa para mudarem de país, Otto – pai de Anne – conseguiu um local para eles se refugiarem nesse período de “caça às bruxas”. O “anexo secreto”, chamado assim por Anne, foi habitado por ela, sua família e mais duas famílias.

Na época em que foi morar no anexo, Anne só tinha treze anos e através das folhas de seu diário que descobrimos todas as suas inseguranças, medos, revoltas, o primeiro amor, problemas familiares e a vida “racionada” que ela e os outros judeus viviam ali. A cada dia que passava o diário que era seu melhor amigo tornou-se seu objetivo de futuro, após escutar em transmissões de rádio sobre a importância das pessoas documentarem sua vida no período de guerra.
Ela então transforma o pequeno diário em seu relato da guerra, descrevendo os fatos e detalhando tudo, sonhando que no futuro pudesse contar para as pessoas, através de suas palavras, o que foi esse período.

Anne tinha quinze anos quando ela, sua família e seus amigos que viviam no anexo foram descobertos e encaminhados aos campos de concentração para trabalhar pelos nazistas.

Fui apresentada a esse livro quando eu tinha uns quatorze anos, e na época eu só era mais uma menina apaixonada por história, que tinha ganhado um livro novo que se passava em uma época tão intensa quanto foi a Segunda Guerra Mundial. Descrever o choque que foi ler esse livro chega a ser cômico, eu não esperava encontrar detalhes do lado ruim da guerra. Não esperava ler e “ver” as monstruosidades de um período tão difícil para muitos que ali estavam. Conhecer Anne foi um presente, porque nela era possível enxergar o ser humano em meio ao caos tentando se manter de pé. Esse livro me deixou com marcas profundas, e considero ele como um dos presentes mais incríveis que recebi. 

Anne nos mostra através de seus “olhos” como o ser humano é esquisito, quão mau ele pode ser e quão doce ele também pode ser. No decorrer das páginas acompanhamos relacionamentos familiares comuns, com brigas, risadas , mas também acompanhamos a parte do medo, do pânico e do amor incondicional.

É impossível não se apaixonar por esse livro, se emocionar e se identificar por vezes com Anne em seus momentos sendo apenas uma menina cheia de dúvidas, dramas e sentimentos. E acho que o primordial dessa obra é que uma adolescente pôde ensinar e ainda ensina tanta gente com suas palavras sutis e também severas, a analisar sua própria visão de mundo. 

Esse diário ser publicado é uma forma de amor e respeito com uma das garotas mais brilhantes que já conheci. 



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