quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Um romance grego




Às vezes compramos um livro pela capa, ou pela curta sinopse que ele nos apresenta, mas dessa vez fui convencida pela simples palavra 'GREGO' no título do livro, hahahah. Como uma amante do lugar e cultura, bastou dar uma olhada nesse título para eu tirar das prateleiras durante a bienal e levar para casa, e posso dizer que valeu a pena! 


Daphne é uma chef. brilhante no restaurante que construiu em Nova York, viúva e com uma filha de cinco anos chamada Evie, ela não deixou os problemas assumirem sua vida e tratou de se esforçar para seguir em frente. Quando conhece Stephen, um empresário bem sucedido, que a pede em casamento, ela decide retornar para a ilha Erikousa, na Grécia, onde seus familiares moram. O lugar, que foi onde passou os melhores momentos da infância e adolescência, será o cenário para um novo começo em sua vida.

“- Daphne mou – Yia-yia disse.- Eu vejo como você se esforça, mas não há mais vida em você. Ela foi cortada como esse seu novo nariz. Lindo, sim, mas onde está a personalidade, aquilo que a torna diferente, especial – viva? Você esqueceu como se vive e, mais do que isso, você esqueceu porque se vive. ”

Daphne vai para a ilha alguns dias antes do casamento para aproveitar o lugar e o reencontro com sua Yia-yia (avó) Evangelia, que traz a tona todas as dúvidas e medos que ela deixou sufocado em seu coração. Agora as lembranças do seu passado se misturam com seu presente tentando mostrar um caminho para seu futuro. Uma mistura de mitologia, misticismo, dor, e cenários paradisíacos irão compor esta trama. 

“Seus olhos se encontraram. Foi à confirmação de que ela precisava. Não havia como negar a dor nos olhos negros que a fitaram de volta. Era um olhar que ela conhecia bem. Era como olhar num espelho. ”

Esse livro fala muito mais do que sobre um relacionamento entre um homem e uma mulher, veremos a construção e amadurecimento do amor de uma mãe com sua filha, entre primas e tios, e avó e neta se mesclando entre as páginas e nos fazendo pensar no que realmente é importante. Questionamentos sobre você “se encontrar”, e que às vezes vale a pena “agir sem pensar” do que ter cada passo de sua vida sendo planejado, trazem ao leitor vários momentos de reflexão. 

E sem contar na culinária né gente! Hahaha, fiquei com água na boca com cada prato detalhado durante a história. Mas o ponto alto do livro sem dúvida foi quando Yianni, um amigo misterioso de sua avó que veio para a ilha cumprir uma promessa e que não vai muito com cara da Daphne num primeiro momento, nos leva de volta ao tempo na segunda guerra mundial (sério eu não imaginaria que teria isso aqui, o que fez me apaixonar ainda mais pela história), mostrando um pouco de como os alemães chegaram às ilhas gregas e o que aconteceu com os judeus que moravam lá. 

O divertido é quando eu acho que vai acontecer um clichê de romance eu sou ludibriada pela autora e apresentada há um final totalmente fora dos padrões. Yvette Manessis nos ensina que às vezes um final diferente do que conhecemos, pode sim, ser feliz!  



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