sexta-feira, 23 de março de 2018

A Chama Dentro De Nós



Esse livro me fez quebrar uma das minhas mais sagradas regras de leitora, uma que eu impus a mim mesma desde muito cedo, após uma conclusão decepcionante: Nunca ler o final de um livro antes de realmente terminá-lo. Senti a necessidade urgente de fazer isso, porque estava inundada de angústias e apreensões pelos personagens e eu PRECISAVA SABER se tudo acabaria bem. 

Não se preocupem, não vou contar a vocês!


“A Chama Dentro de Nós” é o segundo volume da Série Elementos, de Brittainy C. Cherry, publicada pela Editora Record aqui no Brasil (Vocês podem ler a resenha do primeiro livro, “O Ar que Ele Respira”, aqui). A história começa nos falando a respeito de dois amigos que não poderiam ser mais diferentes um do outro: Alyssa é responsável, de uma família com dinheiro, musicista, uma garota de espírito livre e muitos sonhos, mas com sua cota de dores reais. Já Logan é um rapaz marcado pela vida que não se acha bom o bastante para nada, fruto de uma mãe drogada e seu traficante. Leva uma vida de merda, uma existência escura que ele suporta a base de maconha e um vício em documentários em DVD. Um acaso os coloca juntos e da amizade improvável e pura, nascem sentimentos mais profundos que são postos à prova por tragédias, mal-entendidos, doenças terminais e vícios. 

Confesso a vocês que nos primeiros dois terços do livro, a história e os personagens não haviam me envolvido emocionalmente, e não foi por falta de “angst”. Somente quando entrei no último terço do livro é que entendi que tudo o que eu tinha lido até então era apenas um meio para um fim, uma teia complicada que foi sendo tecida ao meu redor sem que eu percebesse. Só me dei conta de que estava de fôlego preso, sofrendo e apegada à Alyssa, Logan, Erika e Kellan quase chegando ao final, quando corri para as últimas páginas antes do tempo. 

Não façam isso. Como muitas das melhores coisas na vida, o caminho, muitas vezes, importa mais do que o destino. 

Mais do que um romance, Brittainy se debruça novamente para falar não só do amor romântico, mas de família e dos outros amores que compõem nossas vidas e às dos personagens desta história: o amor de um filho quebrado por sua mãe despedaçada; o amor carente de uma filha por um pai que não liga pra ela; o amor entre dois irmãos; o amor entre duas irmãs; a necessidade de uma filha de ser amada por uma mãe que parece feliz quando essa filha sofre, enfim, toda a complicação e complexidade que só as relações humanas podem abarcar. 

Logan e Alyssa são personagens que se mantém mutuamente à tona para não se afogarem no próprio desespero de suas vidas, que mesmo sendo muito diferentes, ainda assim são extremamente sofridas e isso é um ponto importante dessa história. Muitas vezes temos a impressão de que o nosso sofrimento, por ser diferente ou parecer “menor” do que o do outro, não nos dá o direito de expressá-lo, de senti-lo, de expô-lo, de nos colocar numa posição de vulnerabilidade diante do mundo. Nada poderia estar mais longe da verdade, pois sofrer é sofrer e só quem passa pela dor é que sabe exatamente o quanto lhe custa. 

Era inevitável que os protagonistas se apaixonassem, mesmo com distintas crises, imperfeições e tristezas, porque elas encaixam-se como peças de um mesmo quebra-cabeça, cuja raiz vem do mesmo desejo desesperado de serem amados por alguém. Há dor real e angústia de verdade na narrativa, mas é uma leitura que pode não agradar determinados leitores, justamente por se tratar de um relacionamento complicado que exige uma boa dose de empatia e compreensão das escolhas que os personagens fazem para si mesmos. 

Mesmo não sendo tão envolvente quanto o livro anterior e com alguns tropeços na narrativa, é impossível não se pegar torcendo. É bom avisar também que há alguns gatilhos na narrativa para experiências traumáticas, que não posso revelar por serem spoilers, mas aconselho cautela e pesquisa antes de começar.  

“No final do dia estamos todos perdidos. Estamos todos arrasados. Machucados. Um caco. Estamos apenas tentando entender essa coisa chamada vida, sabe?” (Logan – pg. 255)

Quando a vida se torna fria, Alyssa e Logan são o fogo um do outro, seu amor é a chama que arde para aquecê-los enquanto caminham para casa, mesmo se estão longes um do outro, contra todas as probabilidades e lutando para manterem viva a esperança na caminhada. 


Um comentário:

  1. Oi Luana.
    Eu ainda não li este, por isso fiquei surpresa com o teor dramático e intenso da história, que pude perceber através da sua resenha. Eu gostei muito do primeiro. Minha empatia aos personagens foi imediata. Espero gostar desse também. Ótima resenha. Bjus
    www.docesletras.com.br

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