quinta-feira, 5 de abril de 2018

Clássicos De Quinta: O Auto Da Compadecida





“Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. ”

Começarei usando os versos de João Grilo em seu julgamento. Particularmente, acho um dos melhores momentos da obra voltada às trapaças de João Grilo e Chicó, seu fiel companheiro. Porém, ao mesmo tempo, podemos ver muito além das aventuras e peripécias desses dois personagens, vemos também dois seres humanos tentando sobreviver e serem mais fortes que as circunstâncias da vida. 



Ariano Suassuna soube falar do cotidiano do nordestino brasileiro ao enfrentar a fome, seca, miséria, o cangaço e os fazendeiros autoritários que sugam o povo com trabalho braçal e pouca ou até nenhuma remuneração.

João Grilo é a representação desse povo que em meio a tudo isso mantém a força e a coragem de seguir em frente sem deixar a alegria de lado e muito menos a esperança.

Claro que não poderia faltar uma boa dosagem do humor regional com cenas que, segundo o autor, foram tiradas de cordéis lidos por ele. O enterro da cachorra em latim, gato que "descome" dinheiro e diversos outros são alguns exemplos da presença desses cordéis na escrita forte de Ariano Suassuna que soube equilibrar muito bem todos os atos da obra que se transformou em peça teatral, série de TV e filme.

Claro, não podemos falar de clássicos nacionais sem ler e comentar sobre “O Auto da Compadecida", que mesmo sendo uma obra criada em 1955, se mantém moderna e atual desde o palhaço cômico e carismático que a narra, até na abordagem de questões sociais ainda presentes no cotidiano do nosso povo.

Fica a dica e boa leitura!




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