quarta-feira, 4 de abril de 2018

Mar de Tranquilidade




“Todas as escolhas que fiz desde que minha vida entrou em conbustão espontânea foram questinadas. Nunca faltou gente para julgar o modo que escolhi para lidar com as coisas.
Pessoas que nunca passaram por merda nenhuma sempre acham que sabem como você deve reagir ao fato de sua vida ter sido destruída. E aquelas que passaram por situações complicadas acreditam que você deveria lidar com as dificuldades do mesmo jeito que elas. Como se existisse um roteiro preestabeleciso para sobreviver ao inferno. ”

Eu acredito fortemente que pelo menos uma dentre todas as pessoas no mundo, já se questionou o quão forte pode ser diante das dificuldades da vida. Algumas vezes passamos por coisas que, pra nós, pode facilmente nos destruir mas no final, sempre passam, uma hora ou outra sempre viram parte do nosso passado, a questão é: Você é forte o suficiente para perdoar?

Mar de tranquilidade é um livro que como outros me desafiou bastante, porém, ele teve a particularidade de me desafiar por mim mesma, por eu ser uma pessoa extremamente emocional. E ele é um livro emocional. Gosto disso, de livros que mexam comigo e esse – apesar de ter parado a leitura muitas vezes – se tornou um dos meus favoritos.

Nastya Kashnikov é uma garota perturbada por um acontecimento que mudou tudo na sua vida e de sua família. Dois anos após o incidente, ela se muda para a casa de sua tia Margot, irmã mais nova de sua mãe, para tentar recomeçar e manter seu passado escondido.

Josh Bennett, é um garoto que perdeu todas as pessoas que mais amava na vida para a morte.

Com uma estrutura intercalada temos, de fato, dois protagonistas. O que faz com que a gente entenda toda angústia e a dor de uma pessoa destruída por dentro. Durante toda a narrativa o mistério que envolve a vida de Nastya é o que leva o leitor a continuar, a personalidade da protagonista, seus hábitos autodestrutivos e o fato de querer se manter longe das pessoas, desperta na gente a vontade de descobrir o que poderia ter acontecido pra transformar uma adolescente em uma pessoa tão amarga e cheia de ódio.

De cara, tenho que admitir, eu imaginei que esse poderia ser apenas um livro juvenil como muitos outros, mas não. Longe disso. Katja Millay construiu toda a história e os personagens com cuidado, muitos detalhes e tanta informação que em certo momento eu sentia que conhecia eles a vida inteira, passei boa parte do tempo tentando descobrir comigo mesma qual era o segredo da protagonista e onde a relação desses dois iria leva-los e por fim, descobrir que apesar de todos os sentimentos ruins vividos pelos dois, eles conseguem encontrar esperança para mudar as suas vidas.

Recomeço, é a palavra que eu daria para esse livro, pois ele se trata disso. Também de muitos assuntos pesados e realmente difíceis de se falar, mas principalmente se trata de encontrarmos o nosso arco-iris após a tempestade.





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