quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Força Que Nos Atrai





Estamos no quarto e último volume da Série Elementos, este livro fecha o ciclo criado pelas histórias que não tem ligação entre si, mas que possuem o amor em suas mais diversas formas como protagonista principal. Não é à toa também que é a ela que a autora dedica este volume. Terminar uma série de tamanha qualidade, emoção e sensibilidade me dá certa dorzinha no coração, mas também uma sensação de “dever cumprido” – Deus sabe o tamanho da minha lista de livros a serem lidos!

Atraídos por uma força inexorável como a gravidade, Graham e Lucy não seriam nunca um casal se usassem as probabilidades. Tudo neles não combina: personalidades, modos de encarar e viver a vida e suas dificuldades, históricos familiares, gostos... Graham é um escritor de imenso sucesso casado com Jane, uma brilhante advogada. Fechado para o mundo e para qualquer tipo de sentimento que não seja a imensa raiva que sente do pai, já falecido, e também um escritor de sucesso. Ele parece ter sido atropelado por uma tropa de elefantes quando uma espalhafatosa e colorida mulher entra em sua vida no seu momento mais difícil. Abandonado pela esposa com uma recém-nascida prematura, seu desespero o leva a buscar ajuda onde jamais pensaria em pedir: à Lucy, uma ex-babá e dona de floricultura, que se oferece para ajudar ao pai de primeira viagem quando ambos encontram-se no mesmo hospital e ela percebe seu desespero.

Eu não achava que Brittainy C. Cherry conseguiria me emocionar e fazer chorar novamente, como ela já fez em todos os livros anteriores desta série, mas, aparentemente, esta autora tem um estoque inesgotável de talento para contar histórias que partem do seu coração diretamente para o coração de quem lê, como já escrevi tantas vezes. Resumi a história no parágrafo acima com o mínimo de spoiler que consegui, porque “A Força que nos Atrai” tem diversos plots twists que merecem ser descobertos numa primeira leitura com toda a sua força.

Maktub – “está escrito” – é a tatuagem escrita no pulso de Lucy e seu lema de vida herdado pela mãe, assim como o mantra que repete todas as vezes que perdia seu chão e precisava tirar forças de onde não achava que ainda possuía:“Ar acima de mim, Terra abaixo de mim, Fogo dentro de mim, Água ao meu redor, Eu me torno Espírito”. Amei essa referência tão óbvia e direta ao que a Série Elementos se propôs a ser para quem a encontrasse: um escape, uma maneira de colocar sentimentos para fora (ou de reencontrá-los), de abraçar o fato de que às vezes está bem não se sentir bem e que se a gente desmoronar devemos sempre dar valor às pessoas que nos amam o suficiente para nos segurarem nesses momentos. Lucy é esse tipo de pessoa e Graham vai descobrir que também pode ser.

É extremamente gratificante e bonito ver/ler o poder transformador que existe em amar e ser amado, qualquer que seja a sua forma. É o que nos faz pessoas melhores, mais humanos, mais empáticos e a única coisa que realmente pode nos fazer feliz. A vida perfeitamente organizada em fluxogramas, planilhas e planos racionais de Graham não tinha espaço para isso, enquanto que a hippie esquisita, cheia de cristais, mantras, pureza de coração e bondade na alma de Lucy possuía até demais. E se tem uma afirmação tão clichê ao respeito do amor é justamente essa: a de quanto mais se dá, mais se têm. Lucy é esse “unicórnio” que possui um coração sem limites estabelecidos para expandir e fazer caber uma nova pessoa que precisa e deve ser amada. Este livro é o resultado do encontro entre a garota que sente tudo com o garoto que decidiu não sentir mais nada, a fim de se proteger de ser novamente magoado.

A narrativa me lembrou muito do livro “O Silêncio das Águas” em sua fluidez e velocidade, pois vamos comendo as páginas sem sentir até perceber que o fim está próximo. Embora seja um romance romântico, é um amor quase platônico por suas enormes impossibilidades, das quais não posso discorrer por motivos de SPOILER! Porém, a gente também passa raiva nas mãos de Graham e suas grosserias e às vezes tem vontade de estapear Lucy, porque ela parece boa demais para ser de verdade... Aí você sente que é confrontado com seu próprio cinismo quando se pega pensando assim e começa a repetir: Ar acima de mim, Terra abaixo de mim... Porque se tem uma coisa que a gente não pode e não deve ser, é totalmente cínico. Nem totalmente bobo – e garanto a vocês que Lucy não é – mas devemos aspirar sempre a sermos bons. E isso ela é. E ensina Graham a ser novamente.

Se você deixar, talvez ela também ilumine os cantos mais escuros da sua alma. Boa jornada!



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