quarta-feira, 2 de maio de 2018

Dramalhama






“ – Você está querendo dizer que eu deveria me jogar?
- Querida, você já se jogou. O negócio é não hesitar quando já começou. Quando você atravessa a rua, não adianta atravessar pela metade, e depois voltar se aparecer um carro. O negócio é ir até o fim.”

Ok, primeiro de tudo, se imaginem tranquilos em uma tarde de domingo preguiçosa, onde vocês não querem fazer nada e de repente cai um livro no seu colo com uma Lhama na capa. A primeira reação que eu tive foi: “ Tá, o que uma alpaca ta fazendo aqui?” – até eu descobrir que não era uma alpaca – e rir, porque era uma coisa engraçada imaginar o que uma lhama poderia estar fazendo no meio de uma história. Contudo, eu não estava nada preparada pra chuva de expectativas que eu teria e que seriam derrubadas com esse livro. E admito, todas eram meio ruins. Sabe aquele história de julgar o livro pela capa?

Júlia é uma adolescente carioca de 17 anos que mora em Cabo Frio, daquelas que cresceram com seus amigos do lado e estudando na mesma escola desde o primário, onde a diretora e os professores sabiam o nome de todo mundo e eram quase como uma grande família. Por conta de uma discussão com o professor de física, a menina se vê pressionada pela diretora – na verdade coagida – a falar com a sua mãe sobre fazer intercâmbio pros Estados Unidos. Ok, mas o que isso teria de ruim, não é? Mas, levando em consideração que Júlia não queria ir pros Estados Unidos e muito menos estudar inglês, isso era uma coisa PÉSSIMA.

Muito perrengue depois – muito perrengue mesmo, depois – ela finalmente embarca pra viagem e bom, se vê perdida em um país estranho, onde não fala direito a língua e procurando uma família anfitriã que ela nem sabe se já está ali pra buscá-la.

Os Webster, por sua vez, parecem aquelas famílias típicas de fazenda e moram em Mount Hood, Oregon. Um casal e duas filhas. Foi aí que eu entendi onde a lhama entrava na história, já que eles criam lhamas (quatro, pra ser mais exata) e participam de competições com elas. Porém nada, absolutamente NADA, havia preparado Júlia para o que seria aquela família. A não ser pela pequena Taylor, a filha mais nova que também não é tão santa assim, todos eram no mínimo horríveis. E pra completar a soma, havia mais uma intercambista na casa, a Karin.

Vamos falar da Karin, a alemã. Eu a amei! No começo, ela apenas parecia odiar a Júlia logo de cara, não dirigia uma palavra a ela e nas poucas vezes que fazia isso, ou era gritando, ou brigando. Mas, quando mais uma menina chega, falando menos ainda de inglês que Júlia, mas enchendo o coração dela de esperança, as coisas parecem melhorar. A japonesa Saori também é caladona, só que nas poucas vezes em que abre a boca é certeira.

Os perrengues de nossa protagonista não acabam: além de se preocupar em aprender a língua, com as tarefas domésticas impossíveis que tinha que fazer junto com as outras meninas e sobreviver, sobrava pouco pra descansar, comer, estudar, ou até pensar em ter uma vida social. Só que alguma coisa parecia muito errado com aquela família e Karin parecia já saber disso. E é em uma noite quando vão dormir na casa de sua coordenadora de área, que as duas finalmente conversam e colocam os pingos nos “is” e daí em diante se tornam amigas. De certa forma. E conforme as coisas vão apenas piorando, também aliadas na missão de conseguir sair daquele inferno de casa.

Tudo bem, vocês devem estar pensando agora: “MEU DEUS, QUE CONFUSÃO É ESSA?!” e até certo ponto do livro eu fiquei assim também. No começo, não gostei. Sendo extremamente sincera, achava Júlia um porre e aquela coisa toda de adolescente me irritava um pouco. Mas, conforme a história foi desenvolvendo, eu vi que estava com as impressões erradas, os personagens começaram a me ganhar, até o ponto de eu começar a me identificar com as duas, mesmo nunca tendo feito intercâmbio na vida. A questão é que todo mundo já teve 17 anos, não é mesmo?

O negócio todo é um grande relato de intercâmbio e a cada situação, você começa a ficar um pouco mais ciente do quanto essa experiência é forte pras pessoas que passam por ela. Todas as coisas boas e ruins que podem acontecer no decorrer de um ano, todas as dificuldades, fazer amigos e lidar com a saudade da família e ainda ter que se virar pra aprender uma língua estrangeira na prática. Tudo isso com lhamas envolvidas! (Gente, eu ainda não superei as lhamas, desculpa. HAHA!)


O livro me ganhou, em algum momento do curso da história eu me vi rindo e me divertindo muito com as situações engraçadas e revoltada pra valer nas ruins, e quando acabou eu fiquei com aquela sensação de “ai, vou ler de novo um dia”. Aliás, vocês também deveriam ler. E sério, nunca, nunca julguem um livro pela capa, ok? 



2 comentários:

  1. Que bom que gostou da história e que ela te conquistou no fim. Mas agora fiquei curiosa. Ql das duas capas vc n gostou? Ou foram as duas? rsrs

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