sábado, 26 de maio de 2018

Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram O Brasil




A História cultivou o péssimo hábito de silenciar a mulher ao longo dos tempos, seja através do roubo de suas ideias, seja através da morte e do esquecimento. Livros como "Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes" e outros exemplos, quebram essa ideia e são ótimos instrumentos educativos para as meninas e adolescentes da nossa geração e para as próximas. O que "Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram O Brasil" faz, é preencher a lacuna da nossa própria história com exemplos diversos daquelas que foram muitas vezes silenciadas e diminuídas, mas que não serão mais esquecidas. Não iremos mais permitir.


A pesquisa das autoras Duda Porto de Souza e Aryane Cararo é primorosa em sua riqueza de detalhes e o trabalho gráfico da Editora Seguinte é um deleite para os olhos, com belíssimas ilustrações de cada mulher pesquisada. Já na Apresentação do livro, elas explicam a necessidade de entendermos e conhecermos nossas ancestrais históricas e assim, por seus exemplos, nos prepararmos para ocupar nossos espaços no mundo. O livro é uma aula de feminismo em seu estado mais bruto e também da História do nosso país, de um jeito raramente visto nas escolas.

Passando por figuras conhecidas como Princesa Isabel, Zilda Arns e Pagu, as autoras resgatam outras como Maria Firmina dos Reis, romancista maranhense que morreu pobre e esquecida, mas que escreveu a primeira obra afro-brasileira, "Úrsula", além de ter sido uma professora primária concursada que se alfabetizou sozinha, poetisa e produtora de artigos para jornais. Histórias como as dela, que eu nunca tinha encontrado, recheiam o livro e acendem o desejo de pesquisar, de saber mais e de espalhar esse conhecimento. Como Maria Firmina, descobri Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, Margarida Maria Alves e pude reencontrar figuras me encantavam já na infância, como Maria Quitéria, Anita Garibaldi e Chiquinha Gonzaga.

A linguagem é didática e acessível, podendo ser lida inclusive pelo segmento infantil, e as biografias são curtas, mas informativas o suficiente para servirem como fonte de bibliografia para trabalhos escolares e ponto de partida para pesquisas acadêmicas mais densas, se este for o objetivo. Como mulher, foi impossível não me emocionar durante a leitura, em especial nos momentos mais difíceis e injustos de suas historias, e também nos momentos de triunfo, um raro alívio, pois a maioria dessas mulheres acabaram por pagar um alto preço por estarem à frente de seu tempo. Um livro feito para se identificar, se inspirar e promover um justo resgaste dessas figuras. 

Já estou, com certeza, na expectativa de um segundo volume! Espero que as autoras e a Editora Seguinte possam dar continuidade a esse belo trabalho! 



Um comentário:

  1. Oie, tudo bem?
    Primeira vez te visitando. <3
    Amei a dica! A edição parece estar linda e, além do mais, o assunto é super pertinente e necessário.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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