quinta-feira, 17 de maio de 2018

Clássicos De Quinta: O Morro Dos Ventos Uivantes



O clássico dessa semana é meu amor antigo, um dos livros mais complexos e sensíveis que eu já li. Escrito por Emily Bronte, o clássico de hoje é um ícone da literatura inglesa e seu único romance: estou falando de O Morro dos Ventos Uivantes.

"Mesmo que ele a amasse com todas as forças do seu mesquinho corpo, nem em oitenta anos a amaria tanto quanto eu a amo em um dia. E Catherine tem o coração tão profundo quanto o meu; seria mais fácil o mar caber todo nessa vasilha do que todo amor dela ser monopolizado por ele."

Conheci esse livro através de Crepúsculo. Sim, não me julguem! Eu o conheci por ser o favorito de Bella, e por conta disso o procurei para ler. E, adivinhem? Ganhou vaga na estante e no meu coração, né?

Mas voltando ao foco principal...

O Morro dos Ventos Uivantes conta a história de amor impossível de Heathcliffe e Catherine. Não expliquei nada, né? Chega mais que eu explico.

Tudo começou quando Heathcliff era uma criança de rua que foi adotada pelo Sr. Earnshaw, o dono da propriedade Morro dos Ventos Uivantes. O senhor da propriedade já possuía dois filhos: Hindley e Catherine. Até aí legal, né? Mais gente para brincar, yaaay. Não é bem assim, galera, já que Earnshaw era meio babaca e fazia diferença entre Hindley e Heathcliff ao demonstrar certo favoritismo para com o menino adotado, gerando assim uma rivalidade entre os dois rapazes. Além disso, havia a fofa da Catherine que era a única que gostava de Heathcliff além de seu pai.

Anos se passam e o Sr. Earnshaw morre, deixando a propriedade para Hindley, que assim que assume o poder direciona toda sua ira antiga em Heathcliff, o isolando e o tornando apenas mais um dos empregados da casa, tentando assim acabar com a amizade e o carinho de Catherine por Heathcliff, o que não consegue. Bem, até uma certa família rica chegar para morar na fazenda ao lado. Pegaram o B.O, né?

Um dos filhos dos Lintons, Edgar, começa a se aproximar de Catherine e a demonstrar interesse nela, o que gera o afastamento de Heathcliff. Após um pedido de casamento e por saber que as diferenças sociais entre ela e Heathcliff são intransponíveis – ele era apenas um empregado e ela, uma moça de posses - para a sociedade local, Catherine fica noiva de Edgar.

E é aí que a treta começa, BRASEEEEL. Sem suportar a perda da mulher que ama, Heathcliff vai embora da propriedade, mas o que ninguém esperava é que um dia ele voltaria cheio de vontade de mostrar que pode também ser incrível, um digno cavalheiro.

Ao se deparar com Heathcliff, nossa garota começa a ficar dividida entre seu presente – marido – e seu passado – Heathcliff. E é nesse caos de emoções entre um jovem marcado pelo preconceito e uma mulher que sonha em ser plenamente feliz com os dois homens que ama, da forma que conseguir, a trama segue.

O que eu acho incrível nesse livro é que ele não trata só de amor, ao contrário, ele tem seu foco principal na vingança de um homem marginalizado e amaldiçoado por amar o que lhe é proibido. Amar Catherine foi a perdição de Heathcliff, foi o que lhe fez ter sede de vingança e machucar a todos os que o machucaram. Por outro lado, a única qualidade que redime a jovem Catherine de seu egoísmo e desdém para com os outros aos nossos olhos durante a leitura, foi o amor pelo rapaz adotado, pois esta é uma protagonista que torna a tarefa de gostar dela bem difícil. Eles dois, por sua vez, amavam-se sem limites e não se importavam com quem tivessem que ferir ou atacar no caminho, incluindo a si próprios. As brigas, desentendimentos, palavras duras, ciúmes deliberadamente provocados, vinganças mútuas e tantas outras coisas que não combinam com a ideia utópica de amor romântico, estão presentes nesta narrativa. E é inegável e impossível de não enxergar que eles se amam apaixonadamente, além desta vida e para fora do tempo até, se for necessário.

(...) Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e, se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria pra mim uma vastidão desconhecida e que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas meu o amor por Heathcliff é como as pendias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento.” 

Quem é que não se assusta com um amor tão perturbador e, ao mesmo tempo, tão forte e atraente? Não é à toa que a jovem Bella Swan gostava tanto da história e que me conquistou tão completamente também. Sempre me tira da rotina de ler água com açúcar e romances fofos, e me joga num furacão de emoções tão denso que me faz refletir. Acho que essa é a mágica de um livro: te fazer pensar em tudo ao seu redor, pensar em si e vasculhar seu próprio coração.

Eu, assim como a Bella do Crepúsculo, indico essa leitura!



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