segunda-feira, 14 de maio de 2018

O Sol na Cabeça





Não foi um livro fácil de ler por muitos motivos distintos, sendo um deles a veracidade contida em cada um dos treze contos existentes nas páginas do livro de Geovani Martins, que usou sua própria infância e adolescência como ponto de partida para as situações descritas em “O Sol na Cabeça”.

Geovani foi um garoto como os que a gente encontra em seu livro: nasceu e cresceu em favelas do Rio de Janeiro e conviveu com grande parte dos temas que descreve e em sua estréia já se tornou uma das promessas da literatura nacional.

Nos contos, o autor fala sobre a vida cotidiana de quem vive nos morros do Rio, jovens que estão crescendo e ainda são obrigados a conviver com a violência, os olhares tortos e a marginalização de suas vidas, mesmo que não tenham feito algo para isso. Sem dúvidas, é um daqueles livros que nos faz pensar em muitas coisas ao mesmo tempo e a cada página, por que conta com toda a proximidade que se tem de uma realidade triste, mas que para aqueles que cresceram “no asfalto” é bem distante.

Logo no primeiro conto, a gente dá de cara com um grupo de amigos em uma situação de embate com as forças de segurança. Enquanto eles queriam apenas curtir uma praia e passar a tarde de calor se refrescando, a pressão da polícia nas praias para conter as ondas de arrastões frequentes dificulta o passeio tranquilo da turma. Mas, além da presença da polícia, que faz parte tão de perto do cotidiano de quem mora em comunidades, temos tantos outros pontos passíveis de discussão durante as histórias contadas por Geovani, que não podemos mensurar ainda o tamanho da sua importância pelo que ele representa. Porém, achei que nem todos os contos são realmente tão bons assim, pois alguns simplesmente parecem estar ali para constar, mas isso em nada tira o brilho completo da obra em matéria de qualidade literária e representação.

Um livro com o poder de dar voz a uma parcela de pessoas que normalmente não consegue espaço pra falar e acredito que por conta disso, mereça toda a atenção e o tempo de leitura de cada um de nós.



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