quarta-feira, 30 de maio de 2018

Rebelde - Um Mundo Novo

  



Quem conhece meus gostos literários, sabe que Nora Roberts é minha romancista viva favorita e que já li boa parte de seus livros, tanto os publicados aqui no Brasil, quanto em inglês. A série MacGregors, uma das mais antigas e famosas da escritora americana, ganhou um novo e belo tratamento gráfico pelas mãos da Editora Harlequin. Como falei anteriormente em minha resenha do primeiro volume (clique aqui para lê-la), a história da família não tinha me conquistado tanto, excetuando-se a do quinto volume, sobre os patriarcas, Daniel e Anna (resenha aqui). Este sexto volume, “Um Mundo Novo”, me fez entender melhor meus motivos para não ser tão fã assim das histórias dos volumes um a quatro: Nora Roberts fatalmente fica em sua melhor forma quando escreve suspense policial, romances com toques sobrenaturais e, especialmente, romances históricos, como é o caso deste aqui.

Dividido em duas histórias distintas, mas correlatas, intituladas de “Rebelde” e “Um Mundo Novo”, que dão título ao livro, o primeiro nos leva até a Serena Macgregor original, na Escócia de 1745. A jovem é a típica mulher escocesa que amamos ler a respeito: linda, teimosa, forte de espírito e coração, patriota e ferozmente apegada à sua família e clã. Tendo sido testemunha do estupro de sua mãe por um oficial inglês na infância, odeia igualmente a todos os súditos do rei, incluindo o sedutor Brigham Langston, o conde de Ashburn, melhor amigo de seu irmão e um aliado dos escoceses. O protagonista masculino foi escrito para ser amado por nós, leitoras, com seu temperamento passional, feitos heroicos, firmeza de caráter e inteligência. Este é um romance fadado a acontecer e delicioso de se acompanhar, pois a autora consegue nos enrolar no dedo mindinho de seus personagens já nas primeiras páginas, um aspecto que senti falta nos volumes anteriores.

É difícil não se apaixonar pelas Terras Altas e sua gente, cultura, hospitalidade e senso de justiça. Um povo que seguiu o sonho de um rei Stuart no trono até a morte, no amaldiçoado charco Dromossie, hoje conhecido como Culloden, onde as esperanças do Bonnie Prince foram esmagadas e todo um estilo de vida desapareceu junto com ele. Você se pega sonhando acordada com bailes, florestas verdejantes, a ilha de Skye, tartans de infinitas combinações... Mas a autora nunca deixa você se afastar em devaneios o suficiente para esquecer de que apesar de ser uma história romântica, “Rebelde” não terá um final inteiramente feliz.

As descrições de Nora Roberts nos levam pela mão até o lugar onde toda a ação acontece, enchendo nossos olhos com imagens da Escócia daquele período, entrelaçando muito bem os bastidores do levante jacobita com o romance entre Serena e Brigham, um casal envolvente e emocional. O conflito da jovem MacGregor de se encontrar amando tudo aquilo que aprendeu pelas circunstâncias a odiar, é muito crível e doloroso, assim como os esforços de Ashburn para não perder a única mulher que realmente já quis. Além deste conflito, Serena também sabe que não nasceu talhada para a corte e sociedade, o que seria esperado da mulher de um lorde inglês com a influência de Brigham. Se não consegue abrir mão dele, será que amá-lo será suficiente, mesmo que isso signifique mudar para se adequar ao seu mundo? Como a livre e alegre filha do laird MacGregor poderia se tornar a requintada Lady Ashburn? Brigham ainda a amaria, depois que já estivesse conformada em sua gaiola dourada, tendo a conhecido cavalgando sem temor pelos campos? ELA ainda se amaria?

Saímos então da Escócia diretamente para o Novo Mundo, a América, acompanhando um Ian MacGregor já adulto, o sobrinho de Serena que lemos a respeito em “Rebelde” quando ainda era um bebê, envolvido até o pescoço com os Filhos da Liberdade e o protesto conhecido como Festa do Chá de Boston. Ferido mortalmente, encontra abrigo na casa da família de Alanna Flynn, uma jovem viúva de sangue irlandês, que vive com seu pai e irmãos desde a morte do marido. Estas são pessoas que conhecem os efeitos da guerra e da morte de perto e Alanna quer apenas viver em paz e o que Ian lhe traz, além de palpitações amorosas e beijos escandalosos, é a consciência da chegada iminente de um novo conflito. Ian, por outro lado, é um soldado até os ossos e Alanna o faz querer esquecer sua honra, senso de justiça e deveres para com seu país e povo, que sofria debaixo do domínio inglês, para ser apenas um marido e pai.

Apesar de mais curta do que a história anterior, “Um Mundo Novo” não é menos interessante, em especial porque personagens da história anterior são citados e fazem aparições que nos alegram o coração, já que podemos saber o que se passou em suas vidas desde então. Ian e Alanna são uma graça de casal e ficamos com aquele gosto agridoce de “quero mais” quando gradativamente nos aproximamos do epílogo.

Termino este livro com a imensa certeza de que os antepassados de Daniel Macgregor são muito mais interessantes e eu teria me animado muito com a saga se Nora Roberts tivesse se focado um pouco mais neles e em suas lutas para viver e amar com liberdade de corpo e alma.



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