sábado, 16 de junho de 2018

A Caminho Do Altar





No oitavo e penúltimo livro da série, vamos acompanhar os caminhos tortuosos do jovem Gregory, o caçula dos Bridgertons, até o amor verdadeiro. E como Julia Quinn não veio a essa vida a passeio, mas a trabalho, ela já abre a história com um Prólogo de tirar o fôlego – mas não se engane achando que por conta do que acontece ali, a própria autora deu um “spoiler” de sua história e você não precisa nem perder tempo lendo, pois já sabe como vai terminar: Não, você não sabe.

“A Caminho do Altar”, ou “O Livro Em Que Violet Bridgerton Finalmente Se Aposenta Como Mãe Casamenteira”, nos apresenta um Gregory no início da idade adulta, mas, diferente do seu cínico grupo de amigos, ele está mais do que pronto para acabar com a vida de farra e encontrar o amor verdadeiro. Como testemunhou por sete vezes seus irmãos se apaixonando e tendo seus finais felizes e por ter uma mãe que fala do pai de forma extremamente afetuosa, ele sabe que o amor existe e que assim que pôr seus olhos sobre a escolhida, os astros irão se alinhar e eles se reconhecerão como almas gêmeas... Em tese, é o que acontece.

A jovem em questão é Hermione Watson (#referências #adoro), filha de um nobre, candidata a Incomparável da Temporada e que está prestes a debutar em Londres ao lado de sua melhor amiga, Lucinda (Lucy) Abernathy, filha de um falecido conde, mas que vive com seu irmão, que agora carrega o título, e seu tio desde que o pai se foi. Quando Gregory olha para Hermione em uma reunião em Aubrey Hall, a casa de Anthony e Kate, ele sabe imediatamente que encontrou a mulher que esperava: palpitações, estremecimentos, a sensação de que o mundo passou a rodar mais devagar e o êxtase descrito nos livros... Tudo, tudo o que ele esperava – como o romântico que é – aconteceu e o seu final feliz está ali ao seu alcance.

O problema é que a jovem em questão não dá a mínima para os planos imaginários de Gregory, pois está apaixonada pelo secretário de seu pai e aguarda apenas uma aprovação da família para se casar. A sensata Lucy sabe que a família da amiga jamais permitirá o enlace, mas Hermione é um Gregory de saias: romântica incorrigível, a moça acredita que o amor prevalecerá no final e ela poderá ter o Sr. Edmunds como marido. Já Lucy, é noiva há anos de Lorde Haselby, o conde de Davenport, mas é um arranjo de conveniência que corre o risco de ir para o espaço assim que coloca os olhos em nosso herói. Este oitavo volume parece uma versão em prosa de “Quadrilha”, famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, porque os personagens estão sempre se apaixonando ou já apaixonados, mas nunca correspondidos. Gregory não consegue compreender o que pode ter dado errado em sua vida, já que o amor não está se saindo como ele imaginava ou presenciou – ou pensa que presenciou, já que as noções de amor do personagem estão nubladas pelo fato de ser tão mais jovem do que seus irmãos, e, portanto, sabe pouco do que os outros tiveram que enfrentar para ficar com suas amadas. Menos ainda de suas irmãs, à exceção de Hyacinth, a mais próxima em idade.

Numa tentativa de ajustar os sonhos de Hermione à realidade, Lucy decide juntá-la a Gregory – o “mal” menor, já que é filho de um visconde. Prática, sociável, sensata, franca e nada misteriosa, nossa heroína lê Gregory como um livro aberto e como já tinha abandonado qualquer noção de romance há muito tempo, pois temia as reações extremadas que Hermione parecia amar, acaba entrando em pânico quando se vê envolvida pelos olhos castanhos, a forma como os cabelos se enrolam na nuca de Gregory, seus modos elegantes... E aí a narrativa ganha um jogo interessante de se ler, com cada personagem tentando encontrar um jeito de ter o seu “final feliz”, mas como ali ninguém parece escolher direito, chega a ser um pouco engraçado o fato de não perceberem quem é o amor de quem. Enquanto lia, me senti como Lady Danbury: eu só precisaria de uma hora para colocar os personagens de “A Caminho do Altar” com seus respectivos pares e a vida seguiria tranquila.

Mas isso é Julia Quinn, senhoras e senhores, a última coisa que teremos é uma narrativa tranquila. Uma combinação de bebidas liberadas e um baile de máscaras numa noite estrelada de Aubrey Hall muda totalmente o que esperávamos que iria acontecer. A partir daí, a narrativa ganha um certo ar frenético e os personagens começam a compreender por fim, as diferenças entre paixão, paixonite, atração e amor. Afinal, o amor é arrebatador, insano, incontrolável? Ou faz você se sentir em casa, é reconfortante, tranquilo? Afinal, poderia ser AS DUAS COISAS? É essa busca por respostas que guia não só nossos heróis, mas até mesmo os coadjuvantes. E pra quem é fã de Kate, Anthony, Colin, Lady Violet e Hyacinth, este livro é um deleite, pois eles participam da trama com frequência.

“A Caminho do Altar” é uma deliciosa história que vai aquecer o seu coração e te fazer questionar suas próprias convenções a respeito do amor. 



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