sexta-feira, 29 de junho de 2018

A Mulher Entre Nós





Depois de “Garota Exemplar” e “A Garota no Trem”, achei que demoraria a encontrar um livro que me deixasse tão tensa e atenta durante a leitura. A contracapa promete que faremos várias suposições e que todas estarão erradas – o que acaba mesmo sendo verdade em muitos aspectos. Ao ler as orelhas do livro, encontramos uma história muito básica da vingança de uma mulher obsessiva, Vanessa, que depois de levar um pé na bunda do marido perfeito, Richard, dá uma surtada ao descobrir que ele está prestes a se casar com Nellie, uma versão mais jovem de si mesma. A nova mulher de Richard então começa a ser perseguida, receber telefonemas anônimos e ter as coisas roubadas ou mudadas de lugar dentro de casa. Pressupõe junto com o leitor que alguém quer seu mal, obviamente, e nossas suspeitas vão logo sendo direcionadas à Vanessa. Porém, será que devemos confiar no que estamos lendo?

As autoras Greer Hendricks e Sarah Pekkanen não são nada adeptas de facilidades narrativas e se esforçam para entregar um material digno de ser considerado um thriller psicológico, ainda que com diversas limitações. Pode até não ser “a leitura da sua vida”, conforme a contracapa anuncia, pois em matéria de qualidade considero que seja inferior aos dois que citei anteriormente, mas caminhou para tornar-se um bom thriller no geral, mesmo que escorregue em diversos momentos.

A gente tem tudo para odiar a Vanessa, inicialmente, ainda mais quando a própria personagem coloca a culpa do fim do casamento em si mesma. Tomamos muito rápido o lado de Nellie e especulamos sobre seu segredo, seu motivo para não se sentir segura a não ser ao lado de Richard. Aí nos pegamos a pensar que esse ex-marido/atual noivo deve ter alguma coisa errada, pois dá pra sentir que algo não está encaixando muito bem... Voltamos a suspeitar de Vanessa, em um de seus ataques de loucura. Nellie é mesmo a vítima aqui? E Richard, qual é seu papel nisso tudo?

Algumas coisas podem ser deduzidas por um leitor mais experiente no gênero, e isso não estraga totalmente a leitura, mas quem está habituado a outros estilos, vai ser pego de surpresa com os plot twists e ficar de queixo caído. 

O livro é dividido em três partes e os capítulos da parte um, por exemplo, alternam-se em primeira e terceira pessoa, tendo as duas mulheres ou como narradoras (Vanessa), ou como objetos da narração (Nellie), o que dá certo ar de que até mesmo o leitor a está stalkeando. Não posso falar muito a respeito das partes dois e três, porque acabaria entregando pontos-chaves da história em minha tentativa de comentá-los e prefiro deixar que você, leitor, mergulhe totalmente no escuro, assim como eu fiz.

Conforme a leitura progride, preciso ressaltar, o ritmo lento do começo vai adquirindo força e o quebra-cabeça da história, que só fará sentido no último ponto dado na última página, aparece diante de nós. Não sei se por ser uma leitora assídua de suspenses, acabei “pescando” muito dos mistérios da trama e isso quebrou um pouco a minha empolgação durante a leitura, mas ainda assim consegui ser surpreendida de forma positiva em muitos momentos. Afinal, às vezes o legal de um livro desse gênero não é só desvendar o mistério, mas descobrir se você está ou não certa em suas suposições, concordam?

As autoras não possuem o humor cru e negro de Gillian Flynn, que mexe lá no fundo das noções de moral em sociedade e nos faz flertar com o pior das nossas almas, ou o texto sombrio e detalhado de Paula Hawkins, mas sabem construir seu suspense de forma relativamente inteligente e bem-feita. Enganar o leitor nunca é uma tarefa fácil, pois se o tiro sair pela culatra a história inteira naufraga sem a menor chance de ser salva e não acredito que “A Mulher entre Nós” tenha caído neste erro. Pode não ter entrado na minha lista de suspenses favoritos por eu ter conseguido enxergar, algumas vezes, o que as autoras estavam aprontando, mas isso não impede de ser exatamente o tipo de livro que vá agradar a você, leitor, e nem diminui a qualidade do trabalho realizado.  



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