terça-feira, 26 de junho de 2018

Dias De Despedida





“Dependendo de quem – quer dizer, pra quem – você perguntar, eu posso ter matado meus três melhores amigos.”

Poucas vezes eu tive o prazer de ler um livro tão lindo e emocionante quanto “Dias de Despedida” e saber que um músico que leva uma parceria com Iggy Pop no currículo foi o responsável por dar vida a essa história explica muito sobre toda a beleza e poesia que essas páginas carregam.

Nunca é fácil se despedir de alguém que amamos, e quando essa despedida e forçada de uma forma repentina e trágica superá-la pode se tornar ainda mais complicado, mas imaginar que talvez você tenha culpa por tudo ter acontecido é ainda mais doloroso, certo?

Eu nunca conseguiria me imaginar sem as minhas melhores amigas, viver sem a presença delas pros momentos felizes e principalmente para os tristes seria torturante, mas ler esse livro me fez viver essa experiência através dos olhos de Carver Briggs, um estudante da Academia de Artes de Nashville, que junto com seus melhores amigos Blake, Mars e Eli, vive uma vida normal e cheia de sonhos sobre as futuras carreiras de cada um. Até que um acidente de carro muda tudo.

Carver agora tem que lidar com a vida sem seus três melhores amigos, a volta para as aulas, a culpa de possivelmente ter causado o acidente e a desconfiança de alguns dos familiares de que ele realmente é culpado. Mas como ele teria culpa nisso tudo se ele nem estava lá? Uma mensagem de texto que ele havia mandado. E uma resposta pela metade encontrada no celular de Mars que dirigia o carro.

A vida do garoto se torna um inferno, a volta para a Academia de Artes se torna mais difícil com a ajuda indesejada de Adair, irmã gêmea de Eli, e tudo não passa de um luto profundo e aparentemente impossível de acabar. Mas a coisa toda fica ainda mais difícil quando a avó de Blake, a vovó Betsy, pede ajuda a Carver para o seu dia de despedida. A ideia era passar o dia fazendo todas as coisas que ela faria com o neto no seu último dia com ele, e como não teve a oportunidade de se despedir, Carver era sua chance, o que o garoto não esperava era que outros familiares dos seus amigos acabassem também entrando na dança, fazendo com que essa experiência fosse tão especial quanto dolorosa.

Eu chorei com esse livro do começo ao fim, a tempos eu falo aqui o quanto eu sou emotiva, e esse livro definitivamente foi capaz de acabar com todo um psicológico que eu achava que tinha e descobri no final das contas que estava muito, mas muito enganada sobre isso. A forma poética que Jeff Zentner conseguiu colocar em cada linha é impressionante, verdadeiramente ele trouxe sua alma de músico para essa história e com a ajuda do seu personagem principal que é um poeta mais que talentoso, me fez perder a noção do tempo e o controle das emoções. A forma delicada com que ele tratou o luto, a culpa, a dor de todas as formas que ela pode aparecer, todo o conjunto da obra é incrivelmente tocante e marcante.

Zentner trouxe em “Dias de Despedida” uma história cheia de aprendizado pra quem lê, emoções fortes e momentos de reflexão dignas de um young-adult de respeito. 



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