sexta-feira, 22 de junho de 2018

E Viveram Felizes Para Sempre



 E, finalmente, chegamos ao nono e último volume da Série Bridgertons de Julia Quinn, para a minha, a sua e a nossa enorme tristeza. Como a própria autora explica, logo no início do livro, aqui se trata de discorrer sobre “a história que vem depois da história” – mini contos que assumem a forma de segundos epílogos para saciar a fome de mais a respeito dessa família tão maravilhosa!

Cada um deles é antecedido por uma pequena explicação dos motivos que levaram Julia Quinn a escrevê-los da maneira como o fez, o que é um recurso bem interessante, já que poucas vezes sabemos o que passava na cabeça do autor quando ele ou ela tomavam as decisões durante o processo criativo.

Em “O Duque e Eu”, os leitores tiveram uma participação com suas perguntas constantes a respeito do conteúdo das cartas que o pai de Simon lhe escreveu. Para Julia, não importava muito o que o pai queria e sim o que motivaria o Duque de Hastings a abri-las anos depois. Como o ser humano amoroso que é, Simon o fez por generosidade à Colin e Penelope, numa tentativa de ajudá-los em um problema específico – mais não posso dizer por motivos de spoiler. Embora tenhamos um vislumbre da vida de Daphne e Simon, ficamos com mais perguntas do que respostas, o que acaba sendo um pouco frustrante se a ideia é satisfazer o leitor...

Já em “O Visconde que me Amava”, temos um conto redondo e sem grandes perguntas, focado unicamente em nos divertir. Como a maioria dos leitores de Julia Quinn concorda, segundo ela mesma escreveu, que a cena favorita deles deste livro e, talvez, de todos os livros, é a partida de Pall Mall, a autora retoma o tema quinze anos depois. É hilário pensar que anualmente todos os jogadores originais, não importando onde estejam, seus títulos ou a quantidade de dinheiro ou filhos, retornem à Aubrey Hall para se comportarem como completos selvagens trapaceiros. É delicioso acompanhar a disputa entre Anthony e Kate pelo taco da morte (ela o havia vencido por três anos seguidos!) e de todos, é o conto mais engraçado. Como se apoia inteiramente na sagacidade dos diálogos e no humor negro dos nossos protagonistas e seus parentes, a gente sorri do início ao fim. O que é ótimo para aliviar a nota de drama do conto anterior.

O segundo epílogo de “Um Perfeito Cavalheiro” e de “Para Sir Phillip, Com Amor”, sofrem do mesmo problema, na minha opinião, dos volumes de onde se originaram: parecem menos interessantes do que de fato seriam se não sucedessem dois dos volumes mais bem escritos da série inteira. O primeiro foca em Posy, a irmã de Sophia, encontrando seu final feliz depois de ter sido renegada pela mãe e ir morar com Lady Violet. E apesar de ser perfeitamente adorável ler Benedict se comportando como um pai superprotetor com a cunhada, a sensação de ser “menos” do que os epílogos anteriores não me abandonou. O segundo foca em uma Amanda Crane adulta e com idade de se casar. É o único escrito em primeira pessoa, mas também sofre do mesmo mal do de Posy, que é ser pouco memorável.

No conto de “Os Segredos de Colin Bridgerton”, o foco é a forte amizade entre Eloise e Penelope e se esta sobreviveria à prova de fogo de ambas terem mantidos segredos ENORMES uma da outra. Cronologicamente falando, é o que mais se aproxima da linha temporal dos livros, já que a trama ocorre no dia do casamento de Eloise. Hyacinth e Colin, como era de se esperar, têm grande participação em tudo e como se encaixa tão bem na história de seu livro originário, parece mais um trecho perdido do que um epílogo em si – e digo isso como algo positivo!

O epílogo do sexto e do sétimo livro, “O Conde Enfeitiçado” e “Um Beijo Inesquecível”, também se originou de questões abertas deixadas pela autora: Francesca e Michael conseguirão seu desejado herdeiro? Hyacinth, finalmente, encontrará as joias? Os dois contos, assim como seus livros, são os mais sensuais e se o primeiro tem um pouco de magia para resolver seu conflito, o segundo trata da beleza do amor de uma filha incomum por sua mãe nada convencional. De todos, ambos são os mais satisfatórios em termos de “fechar” uma história.

Aquele que seria o último dos epílogos, “A Caminho do Altar”, retoma um pouco da ideia do drama do primeiro e faz a gente passar muito nervoso com a doce Lucy dando a luz às gêmeas e tendo complicações pós-parto. Hyacinth também está presente e mesmo sabendo que tudo VAI terminar bem, ainda assim, a tensão é grande. O fato de termos uma nova geração de Bridgertons nomeada por conta de seus tios e tias dá um toque de beleza àquele que é o conto mais melancólico. Por fim, Julia Quinn nos surpreende com “O Florescer de Violet”, um conto sobre a matriarca Bridgerton em quatro momentos da sua vida: infância, o encontro com Edmund, a morte do marido e seu aniversário de 75 anos.

O que seria apenas uma deleite para nós, leitores, já se transformou em algo mais: Com a publicação da série Rokesbys confirmada pela Editora Arqueiro e seu primeiro volume, “Uma Dama Fora dos Padrões”, com previsão de lançamento para agosto desse ano, parece que teremos mais dos Bridgertons por algum tempo!




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