quarta-feira, 13 de junho de 2018

O Som Do Amor




Durante um bom tempo, eu fui cutucada por meus amigos a respeito de Jojo Moyes, a autora de “Como eu era antes de você” se tornou leitura quase que obrigatória na minha roda e acredito que na de praticamente todo mundo que gosta de um bom livro reflexivo. Por conta disso, em um pequeno impulso acabei comprando “O Som do Amor”, e tenho que admitir que Jojo ganhou mais uma admiradora.

O livro não é nada como talvez a maioria das pessoas imagine, não é um romance comum, e muito menos agradável a leitura em todos os aspectos mais conhecidos, pelo contrário, o sentimento predominante durante toda a leitura é provavelmente a repulsa, mas se engana quem está pensando que vou dizer que se trata de um livro ruim. Na verdade, ele está bem longe disso.

A Casa Espanhola é onde se encontra o centro da história.

O Senhor Samuel Pottisworth – um velho ranzinza e atrevido – é o proprietário deste casarão. Ele encontra em seus vizinhos Matt e Laura McCarthy apoio e cuidados devido a sua idade avançada. Porém o casal não fez nada por generosidade ou qualquer um dos sentimentos altruístas que possamos pensar, tudo era apenas por ambição. O que eles mais desejavam em toda a vida era herdar a Casa Espanhola já que o velho não tinha filhos, e muito menos algum parente próximo, assim eles pensaram.

Quando o senhor  Pottisworth passa dessa para uma melhor sem deixar um testamento dirigindo pra quem poderia ir sua casa, todos esperam que ela vá a venda. Os McCarthy esperam por isso mais que qualquer outra pessoa pode imaginar. Desde que era pequeno Matt, que vira seu pai trabalhar naquela casa imensa, nutre o desejo de ter a propriedade pra si. Só que com a descoberta de uma parente distante do velho – que ninguém sabia que existia – esse desejo se torna ainda mais impossível de se realizar.

A parente em questão é a Isabel Delancey – que era a primeira violoncelista da Orquestra Municipal – acaba  de perder o marido, tem dois filhos para criar e está afogada em dívidas. Com todas esses problemas na cabeça, ela se agarra a oportunidade que aparentemente caiu do céu para salvar alguma coisa do que restou deles e se muda de Londres, onde sempre morou, para uma cidade do interior para morar na bendita casa que havia herdado. O que ela não podia imaginar era o estado em que a casa se encontrava depois de anos de abandono e deslecho por parte do falecido.

Mesmo assim, eles se mudam e enfrentam o desafio de aprender a viver em um lugar diferente, e recomeçar a vida em meio a todas as dificuldades, as artimanhas dos vizinhos, e suas próprias inseguranças.

Nesse momento a vida de Matt, Laura e Isabel se encontram e com a desculpa de conhecer bem a casa e tudo o que precisa ser concertado nela Matt se oferece para fazer a reforma e sem saber Isabel cai na conversa, ficando a mercê das armadilhas dele para que ela e seus filhos vão embora do casarão.

Essa pode ser uma história que fala de recomeço, luto, amor fraternal e amadurecimento, mas o que marca é percebermos o quanto o ser humano pode ser baixo e mesquinho para conseguir o que deseja. A obsessão de Matt, os conflitos pessoais de Isabel, traição, ambição e cobiça são os sentimentos mais fortes nessa obra da Jojo o que faz com que ela seja forte, apesar da escrita lenta e detalhada que tem, mas que consegue te levar bem durante toda a história.

Uma coisa que não posso deixar de ressaltar é o fato de os moradores da cidade serem personagens muito presentes o tempo inteiro na narrativa, trazendo pra gente uma visão externa de tudo o que acontece, mas apesar disso, eles não se envolvem diretamente. Apenas vivem como senhoras e senhores fuxiqueiros, bem típicos.

Mesmo com tudo isso, e deixando bem claro que eu gostei do livro, não me senti ligada a história, não sei se pela escrita ou se pela quantidade de sentimentos amargos contidas nas páginas, porém ele é sim um livro que eu indicaria a todos a leitura, porque sem dúvida foi feito para nos fazer pensar sobre como nós mesmos somos capazes de lidar com esses sentimentos.



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