terça-feira, 12 de junho de 2018

Para Sempre Alice




Sabe, eu me considero uma pessoa grata. Sou grata pela minha vida, minha família, meus amigos, minhas memorias. Céus! Não me imagino sem as minhas memorias! E você, se imagina?

O livro que vamos conhecer hoje é um dos livros mais especiais da minha vida, ele me ensinou tanto! Eu o conheci quanto estava no primeiro ano do ensino médio, com 14 anos, e não poderia ter recebido um presente melhor da vida naquela época, e só de tê-lo conhecido eu já me sinto grata. Mas que livro é esse que tanto mexeu comigo? Venho com todo carinho apresentar a obra de Lisa Genova, o livro Para sempre Alice.

“Sou esposa, mãe e amiga, e logo serei avó. Ainda sinto, compreendo e sou digna do amor e da alegria dessas relações. Ainda sou uma participante ativa da sociedade. Meu cérebro já não funciona bem, mas uso meus ouvidos para uma escuta incondicional, meus ombros para que outros chorem neles, e meus braços para abraçar outras pessoas com demência. […] Não sou uma pessoa moribunda. Sou alguém que vive com a doença de Alzheimer. E quero fazê-lo tão bem quanto me for possível. ”

Alice Howland é uma grande mulher, professora em Harvard, ela dá aula de psicologia e linguística. Além de um trabalho fantástico eu posso afirmar que ela possui uma família incrível, formada por seu marido e seus três filhos – Anna, Tom e Lydia. A vida dela é incrível, não é? Sim, muito! Mas a vida as vezes vira ela de cabeça para baixo e te faz aprender que até mesmo os pequenos detalhes são importantes. Perto de completar cinquenta e dois anos, a vida a surpreendeu de uma forma que ninguém imaginava: Alice foi diagnosticada com o mal de Alzheimer de instalação precoce.

Para quem não sabe, o mal de Alzheimer é uma doença degenerativa que logo de início provoca a perda de memória recente, e vai avançando conforme o tempo passa. É uma doença sem cura que por inúmeras vezes acaba por interferir no comportamento da pessoa, sua personalidade e até mesmo suas relações sociais. Difícil não?

Ler esse livro foi um dos maiores desafios que eu tive, eu era uma adolescente de 14 anos que estava acompanhando toda a fragilidade de uma mulher que tinha toda uma vida ainda pela frente. E foi lendo cada página, dividindo cada lagrima e cada medo que eu aprendi que viver é essencial, que amar sua família, suas memorias e seus momentos são essenciais.

Que mesmo em meio a dor, ao caos e o desespero, você pode vencer. Confesso que meu coração de fã de finais felizes, por alguns momentos sonhou em um diagnóstico errado, e que Alice fosse feliz com a notícia. Mas não foi assim, ela tinha Alzheimer, não tinha jeito. Era isso. Mas ela não ia desistir de viver por isso. Alice te ensina que não é porque um problema, uma dor, uma perda, uma doença chega no seu caminho que você tem que desistir. Ela teve medo sim, insegurança sim, pavor então nem se fala. Mas ela aprendeu a lutar por ela e por todos. E o mais lindo, eles também mesmo com suas fragilidades lutaram por ela. O relacionamento dela com os filhos – principalmente com a Lydia – realmente amadurece e fortalece, é lindo de ver.

Para sempre Alice, não é apenas um livro sobre uma mulher que tem uma doença. Ele fala sobre devoção, sobre amor, sobre determinação. Ele ensina que a família é tudo, que você nunca está sozinho, e que mesmo em meio a um furacão imenso, as coisas vão se acertando da forma que der.

Eu sou suspeita, meu amor por esse livro é imenso. Ele me ensinou a não ser rebelde, me ensinou a aceitar os desafios que a vida me deu, me ensinou a ser amável com a minha família – quando eu era rebelde- me ensinou a amar os pequenos detalhes da vida, as risadas, as lagrimas, as memorias. 




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