sexta-feira, 6 de julho de 2018

Não Fuja!


  Infelizmente, chegamos ao terceiro e último volume dessa trilogia maravilhosa que é “Não Pare!” e se até agora tivemos mais perguntas acumuladas do que respostas, a autora FML Pepper se esforça para amarrar as pontas soltas e oferecer todas as explicações possíveis, mesmo que deixe de forma proposital que duas das profecias já descritas permaneçam uma incógnita... Já que, graças a Tyron, recebemos confirmação da própria autora de que um livro de contos da Trilogia, intitulado “Máscaras”, será lançado na Bienal do Livro em São Paulo esse ano! Quem sabe aí nossas perguntas finais não serão respondidas?

  Se você ainda não leu os dois primeiros livros, “Não Pare!” e “Não Olhe!”, não continue essa resenha, por mais que ela seja tão spoiler free quanto possível. Alguns detalhes e acontecimentos precisam ser mencionados e saber antecipadamente vai estragar as surpresas que a autora se esmerou tanto em construir!

Assim como nos livros anteriores, este terceiro volume começa de onde o segundo terminou: Nina cansada de ser arrastada por toda a Zyrk e decidida a tomar as rédeas da situação – mesmo que seja, pra variar, uma situação pra lá de complicada. O diferencial é que toda a ação começa a partir do capítulo 2, já que no capítulo 1 ela dedica inteiramente a um personagem de nome Ismael. Esta decisão só fará sentido mais tarde na trama, mas vai valer a espera. Do meio para o fim da história, quando a narrativa está fervendo enlouquecidamente, ele reaparece e ganha mais capítulos e o nosso coração, de quebra.

Sim, meninas, afirmo com todas as letras que RICHARD. TEM. CONCORRÊNCIA. FORTE!

Segurem a ansiedade de querer pular as páginas e retornar para Nina e Richard se metendo em mais confusões em Zyrk: sigam o caminho na ordem que a história foi construída pela Pepper! Não é sem propósito que estes capítulos foram colocados justamente ALI e quando você os terminar, PODE ACREDITAR que vai precisar recolher seu queixo do chão!

Se antes Nina fazia a gente passar muito nervoso com suas atitudes destemperadas de adolescente normal, “Não Fuja” é o ápice do amadurecimento da personagem. Nos livros anteriores a jovem pouco sabia das regras do jogo e era apenas um peão empurrado em diversas direções, constantemente traída, enganada e feita de boba até pelo homem que ama. Aqui, de peão ela se torna rainha absoluta do tabuleiro e se movimenta por ele com uma desenvoltura que foi um alívio de se ler, pois poucas coisas são mais legais do que uma jovem mulher dando as cartas e criando os acontecimentos, ao invés de apenas reagir (e mal) a eles. Até mesmo quando ainda é enganada, a personagem demonstra uma firmeza de espírito e uma dignidade tão grande, que é impossível não sair da história admirando-a e aprendendo com ela a se tornar mais forte justamente onde foi quebrada.

Foi lindo de perceber também como a Pepper estava, nesse tempo todo, espelhando as histórias de mãe e filha, pois, muito mais do que um romance sobre Nina e Richard, a Trilogia é sobre o poder do amor e do perdão na sua totalidade. Quando o passado de Stela e da própria Nina é revelado, a tristeza e a paranoia infinita da mãe passam a fazer um enorme sentido: compreendemos as atitudes desmedidas de Stela para manter sua filha viva, como Dale e Ismael se entrelaçam na vida das duas, onde o impiedoso Shakur se encaixa na trama, o motivo de Guimlel, aparentemente, detestar nossa protagonista e, por fim, o temido Malazar dá as caras e se revela mais cruel e sádico do que esperávamos, assim como seu servo mais dedicado: Von der Hess.

Quando a maldade parece infinita e a decadência dos habitantes de Zyrk parece impossível de ser redimida, como Nina poderá mostrar-lhes que o amor é o sentimento definitivo que move e transforma todos os Planos, quebrando até mesmo as maldições milenares? Será possível que até mesmo os habitantes considerados mais baixos, como as Sombras, por exemplo, aprenderão a cultivar o bem-querer?

Mal-entendidos, medos resistentes, muitos erros, desencontros desesperadores e fatalidades fazem deste livro o mais humano e longo da trilogia, mas também o que mais desnudou a alma da própria autora, nos mostrando sua fé inabalável no poder curador do coração e na ideia de uma redenção acessível a todas as criaturas.

E que venha “Máscaras”!



Um comentário:

  1. OMG!!! Estou arrepiada até o último fio de cabelo e de queixo caído. O que sempre achei impossível acaba de acontecer: ler uma resenha do último livro da trilogia tão PERFEITA e MARAVILHOSAMENTE construída sem, no entanto, ter spoilers comprometedores. Coisa mais linda do mundoooooo. Feliz. Encantada. Agradecida. Você se superou nessa resenha tão formidavelmente bem escrita e, de quebra, ainda me fez ganhar o dia. Obrigada, querida Luana! Beijos imensos, Pepper

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