quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Clássicos de Quinta: Jane Eyre






“O senhor pensa que sou um autômato? uma máquina sem sentimentos? Que posso suportar ter meu pedaço de pão roubado dos lábios, e minha gota d’água jogada da taça? O senhor acha que, porque sou pobre, obscura, feia e insignificante, que não tenho uma alma e um coração? Então acha errado! Tenho tanta alma quanto o senhor – e tanto coração!”

É com muito prazer que eu venho nessa quinta falar pra vocês sobre uma das minhas histórias clássicas favoritas, e com certeza vocês não ficaram surpresos de saber que se trata de uma das obras das irmãs Brontë, no caso, minha querida Charlotte Brontë.

Pra quem gosta de um ambiente frio, campestre, uma aura quase melancólica, e uma personagem – e autora – forte e decidida, plenamente consciente do que quer ser e viver, não tem como não se apaixonar por Jane Eyre e sua autora.

Jane, é uma menina órfã, que conheceu bem o significado da palavra sofrimento enquanto viveu com sua tia e seus primos. Até que a sra. Reed decidiu manda-la para um colégio religioso só de meninas, onde Jane passou a viver até a idade adulta. Em Lowood Jane estudou de tudo e isso lhe rendeu um trabalho de preceptora em Thornfield Hall, uma mansão que pertence ao Mr. Edward Rochester.

A presença misteriosa e intrigante do Mr. Rochester faz com que Jane acabe se apaixonando por ele depois de um tempo em seu emprego, mas o mistério desse homem não está presente só em sua personalidade, seu segredo mais bem guardado em um sótão na mansão coloca em risco o amor deles e dá a nossa personagem mais uma rasteira.

Charlotte trouxe em Jane Eyre uma trama cheia de significado e poder, o que é bem próprio das Brontë. A escrita detalhada dos cenários nos leva a cada um deles com clareza, e nos ajuda a mergulhar na história de uma forma inexplicável, mas não se engane em achar que por ter uma escrita minuciosa ela se torna chata ou monótona. A maestria da autora está estampada em todas as linhas do livro, suas ideias e sua visão da sociedade em que viveu, os sentimentos e a procura de sua personagem pela liberdade, tudo isso está presente em sua escrita, o que deixa a história realmente deliciosa de ler, por mais que em muitos momentos – praticamente todos desde o início da leitura – possa nos fazer sentir incomodados com alguns comportamentos da personagem, principalmente em relação ao relacionamento com Edward. Mas não podemos deixar de pensar no contexto da época, não é?

Esse é um daqueles livros doces, poéticos, fortes e não tão fáceis de digerir no todo. É impossível você não se pegar perdida em algum ponto ou em todo o livro. Sua carga emocional e as ideias, os pensamentos feminstas e religiosos da autora todos presentes e misturados entre as páginas nos deixa em um êxtase perdido e cheio de reflexões. E é isso que faz dele uma leitura tão especial.


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