quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Hippie






Paulo Coelho é o autor favorito de muitos porém, eu nunca tinha lido nenhum dos seus livros, mas não vou negar que sempre me interessei por ele. E recebi uma chance que eu não podia deixar escapar, quando a Companhia das Letras nos mandou “Hippie”, e eu finalmente pude matar minha curiosidade sobre a escrita desse autor mundialmente amado.

O livro é uma autobiografia feita por Paulo Coelho para contar sobre uma de suas viagens pelo mundo e de como era fazer parte do movimento hippie, na década de 1970. Apesar de ser sim uma autobiografia, ele se propôs a escrever todo o livro em terceira pessoa, o que pra mim foi uma ideia maravilhosa.

“Jovens vagabundos e sem modos, traficantes, a perdição da sociedade”: Era mais ou menos assim que praticamente todos se referiam ao adeptos do movimento daquele período, no qual jovens se reuniam para juntos trocarem experiências de vida, tocarem instrumentos, cantarem, meditarem e lutarem por uma forma diferente de se viver, longe do capitalismo que devorava a sociedade na época. Em uma época onde não havia internet e a comunicação desses jovens era basicamente no boca-a-boca, eles se uniam para conhecer o mundo e viverem sua liberdade, sem violência. Aliás, com muita paz e amor.

O Paulo que conhecemos na história é um cara magro de cabelo longo, que almeja ser um escritor e que para conhecer e aprender sobre o mundo à sua volta começa uma grande viagem que se inicia por aqui mesmo, na América do Sul. Nós o acompanhamos durante todo o caminho: pelas dificuldades que ele passa, pelas prisões e até as torturas que sofreu durante a ditadura no Brasil. Depois seguimos com ele por Machu Picchu, Argentina e Chile, até chegarmos em Amstedã. E é lá que junto com Paulo nós conhecemos Karla, uma moça holandesa, inquieta, que assim como ele procura novos significados para a própria existência, e que quer mais que tudo uma companhia para pegar o “Magic Bus” em direção ao Nepal.

O trajeto no “Magic Bus” é mais um dos momentos da história que cativa aqueles a quem a escrita do Paulo Coelho agrada. Todo o tempo conhecemos e passamos por momentos em que o próprio autor viveu e com isso conhecemos mais um pouco da sua vida através de seu personagem, e das histórias que são compartilhadas pelos outros personagens da narrativa. Cada uma delas tem uma grande importância e não tem o potencial de mudar apenas a vida, os pensamentos e valores do Paulo e da Karla, mas também o de nós leitores. Se estivermos dispostos a nos deixar mudar por elas.

No fim, eu posso dizer que gostei de conhecer Paulo Coelho, gostei de conhecer um pouco de sua vida pelos olhos dele mesmo, conhecer mais sobre o movimento hippie e também me conhecer um pouco mais através da escrita fluida, quase corrida que ele deu a esse livro.

Só posso dizer que foi, com certeza, um grande prazer poder conhecer o Paulo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário