segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Bruto e Apaixonado




“Era fácil se abrir para um homem simples, que não tinha jogos ou esquemas de conquista, que se colocava inteiro, aberto, mostrando o jeito rude e também cavalheiresco sem vergonha de se expor. Mário era autêntico e confiável. Sentia isso, sentia que podia confiar nele.”

Confesso que não me lembro quando foi a última vez que li alguma história de Cowboys, não que a escrita seja ruim, apenas não é tanto meu estilo, mas como eu adoro sair da mesmice cá estou eu para contar a vocês a história de Mario e Nathalia, dois mundos opostos que de alguma forma se encaixaram.

Mário Lancaster é um cara de 35 anos nascido e criado em Santo Cristo – sim estamos no Brasil, é possível ouvir um amém? – que sempre viveu para a fazenda de sua família e para os rodeios, juntamente com seus irmãos mais novos. Eles formam a família Lancaster, os mais respeitados e ouvidos de toda a cidade. Bem, eles eram até uma certa forasteira chegar na cidade e mudar a vida de todos.

Nathalia Esteves é filha de um grande empresário – que eu odeio forte, diga-se de passagem –, e recebe a missão de sair de São Paulo ir até Santo Cristo organizar a estrutura de funcionários da mais nova aquisição de seu pai/ presidente – ela trabalha na empresa – o que significa ir até o local demitir um quantitativo razoável de funcionários e prepara-la para revenda, fácil não? Seria, se ela não estivesse indo parar em uma cidade com cerca de seis mil habitantes, onde boa parte da cidade tira seu sustento da tal fábrica.

Com a cidade um caos completo por conta da venda da fábrica, os Lancaster são intimados a uma reunião da comunidade – pegou que a cidade é pequena real né? – para ajudarem a resolver a situação. O problema é que quem resolvia a vida de todos era o patriarca da família e não seus filhos. E mesmo após sua partida, o povo ainda contava com os Lancaster, melhor dizendo, contava com o filho mais velho, Mario, para resolver a situação com a forasteira. O problema é que ninguém perguntou se era o que ele queria e se ele podia mandar no coração dele.

Nathalia recebe todo o “carinho” da população quando chega a cidade, bem a maioria pelo menos a “ama de verdade”, isso até ela conhecer Mário, um cowboy que a oferecerá a ajuda necessária para tentar sobreviver aos sete dias que pretende trabalhar, o único problema é que nossa garota não imaginava que seria em um lugar pitoresco como aquele que ela criaria uma coragem que ela nunca teve e ainda mais se permitiria ser amada e a amar.

Ambos são opostos, com objetivos de vida diferentes. Mas com uma mesma deficiência: os dois possuem demônios que ninguém pode destruir a não ser os mesmos. E eu confesso que para mim, que foram nesses momentos de ruptura que eu me vi presa a história.

Esse livro me deixou bem confusa, preciso admitir que o comecei bem irada com a forma que eu vi nosso protagonista e não apenas ele, mas a maioria dos homens tratando mulheres me forma machista, não gostei desse ponto de verdade. Acredito que mesmo se tratando de um livro de “roça” não me senti confortável em ler a forma como eles se referiam a uma mulher. No decorrer da leitura vemos Mário mudar sua postura quanto as mulheres, mas ainda assim não o perdoei totalmente, confesso.

Um ponto que ganhou ponto comigo foi a forma como Nathalia nos foi apresentada, ela tinha suas fragilidades? Sim, tinha. Mas também sabia se colocar quando alguém a colocava como menor unicamente por ser mulher, mas principalmente o que me chamou atenção foi o fato de termos visto uma garota falando abertamente de sexo casual, sem toda aquela nevoa de “mulher vadia” e sim com uma postura – e visão – de “mulher resolvida”

Outro ponto forte nesse enredo, foi a forma sagaz que Janice Diniz escreveu nossos personagens secundários. Eu preciso admitir que a matriarca dos Lancaster, dona Albertina, é uma velhinha muito incrível, sem papas na língua e com um jeito único e amoroso. Você não consegue não se apaixonar por ela. E os irmãos? Eles são figuras únicas, mesmo com o jeito babaca e machista em inúmeras vezes, eles matam e morrem uns pelos outros, e foi isso que eu mais amei. Nesse livro vemos uma família forte e muito unida, que faz a gente suspirar por tanta fofura.

Em o “Bruto e Apaixonado” não temos apenas um livro hot com cenas detalhadas entre uma mulher da cidade e um cowboy gostoso. Nós temos uma história bem emotiva, com um homem que começa a se apaixonar e reaprender a viver de verdade e a enfrentar uma das marcas mais profundas da sua vida que o fez ser quem é hoje, e uma mulher com pose de forte mas totalmente destruída por dentro, aprender que pode ser amada por aqueles que são dignos de seu amor. 

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