quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Céu sem Estrelas





“Era incrível como as coisas mudavam de uma hora para a outra. E parecia que as coisas estavam prestes a mudar mais uma vez.”

De todas as muitas coisas que nós encontramos nos livros, além das histórias de amor e das paisagens maravilhosas, é muitas vezes empatia e representatividade. Esses são sentimentos que eu tive a sorte de encontrar muitas vezes, descritos e exemplificados de tantas formas como eu acharia possível, e uma delas eu encontrei em “Céu sem Estrelas” da Íris Figueiredo.

O livro conta a história de Cecília, uma menina que acabou de completar dezoito anos, deveria estar apenas se preparando para a faculdade de Desenho Industrial e para a vida agitada – e nem sempre agradável – do campus da universidade. Porém, Cecília também acabou de perder o emprego, e sua mãe após descobrir decide manda-la morar com sua avó, só que nossa garota não é mais um bebê, e decide que é hora de cuidar da própria vida o que faz ela ir morar na casa de sua amiga de infância, Iasmim.

O que também a leva a morar junto com Bernardo, irmão da sua melhor amiga, e sua paixonite de infância.

Bernardo é mais velho, já faz faculdade de engenharia, e tem uns "amigos" bem idiotas – daqueles que só conseguem pensar em mulheres e festa. Apesar disso, ele é só um cara que não sabe ainda que direção tomar na vida, se as escolhas que fez estão realmente certas ou se seus relacionamentos – no geral – valem de alguma coisa. É nesse momento que a chegada de Cecília pode se tornar um presente.

Apesar de ser narrado pelos dois, o ponto principal do livro é a vida de Cecília e alguns dos seus inúmeros problemas. Não só os mais comuns mas sim, aqueles mais complicados e que muitas vezes não são tão levados a sério como deveriam. A garota que sofre com crises de pânico, baixa autoestima, conta também com o trauma de ter sido abandonada pelo pai, com a negligência da mãe – que faz questão de sempre ficar ao lado do padrasto da menina – e com a gordofobia como agravantes para sua situação.

Agora juntem isso tudo, com necessidade de se mudar de casa e de vida completamente, e mais aquelas dificuldades que a vida faz questão de nos impor? Obviamente que todos temos problemas, mas aqui a situação é um pouco – ou muito – mais difícil.

Mas eu não posso dizer que só por ter problemas mais fortes, Cecília seja a única que sofre durante todo o livro, pelo contrário. Bernardo, por exemplo, com todas as suas dúvidas e aprendizados também é um lado dessa história que me encheu de dor no coração.

Íris nos trouxe um livro que tem a realidade vivida por muitos jovens e adolescentes de forma dura e fiel. Mas a sua escrita fluida e próxima, toda em primeira pessoa, fez desse Young Adult mais um daqueles livros que a gente tem prazer em ler. Os personagens secundários são maravilhosos, e cada um está ali por um motivo bem evidente: defender as suas causas. E com eles mais temas difíceis como preconceito racial, dificuldade de locomoção para os deficientes, por exemplo entram na narrativa de forma delicada. 

“Céu sem Estrelas” é um livro lindo, desde a capa e diagramação até os temas e personagens envolvidos. Um livro emocionante, forte e ao mesmo tempo doce como esse merece ser lido por todo mundo.




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