quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Clássicos de Quinta: Histórias de Tia Nastácia






“O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos lá longe. Depois disse:
— Uma idéia que eu tive. Tia Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando, de um para outro, ela deve saber. Estou com o plano de espremer tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela."

Andando pelo centro do RJ, fui a uma livraria e pude ver diversos livros de Monteiro Lobato e pensei: “Como até agora nunca tive a curiosidade de ler algo dele”? Foi assim que tive minha primeira experiência de leitura da obra deste grande autor brasileiro. Através das histórias de uma personagem muito inteligente, mesmo sem estudos e conhecimento científico, entramos em contato com a verdadeira escola de Tia Nastácia, que são as histórias que o povo conta, o folclore, o cotidiano da vida e etc.

A história surge, basicamente, a partir da curiosidade infantil de Pedrinho, Emília e Narizinho em saber quais histórias Tia Nastácia teria pra contar. Eu me apaixonei pela maneira suave com que todos os contos foram escritos e descritos pela Tia Nastácia, a conversa entre os personagens analisando cada conto, seu significado e simbologia e, claro, as críticas sinceras de “crianças sabidas", como diria Tia Nastácia, e o desejo de todos em ouvir e aprender mais com ela.

"Emília torceu o nariz.
— Essas histórias folclóricas são bastante bobas — disse ela. — Por isso é que não sou "democrática”! Acho o povo muito idiota...
— Pois eu gostei da história — disse Pedrinho —, porque me dá a idéia da mentalidade do nosso povo. A gente deve conhecer essas histórias como um estudo da mentalidade do povo"

Com a leitura dessa obra, ganhei em minha lista mais um autor pelo qual me apaixonei. Todo o trabalho de Lobato na estrutura narrativa, os detalhes e a personalidade de cada personagem, enfim, toda a sabedoria por trás dos detalhes mais simples, indicam sua qualidade e grandeza.

Fica a dica e boa leitura!



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