quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Desejar




Estava muito ansiosa pelo segundo volume da Série Espiral do Desejo, “Desejar”, ainda mais depois daquele cliffhanger na última página. Se “Despertar” eu li sem expectativa alguma, vim para esta continuação querendo MUITO que a escrita de Nina Lane desse certo, ainda mais porque depois de um volume bem escrito, o seguinte costuma quase sempre ser decepcionante ou até de qualidade inferior... Este é um daqueles raros casos em que a coisa só melhora. Ainda bem. 

A autora deixou nossos protagonistas lidando com um montão de problemas em seu sólido casamento que haviam surgido por conta dos segredos do passado de Dean, das inseguranças de Liv e dos muitos erros cometidos por ambos no presente. Este é um momento de reconstrução para os dois, de tentativas repetidas de aparar arestas, restabelecer a confiança um no outro e na relação e partir para o futuro que ambos desejam construir. O primeiro obstáculo aparece na forma de um infarto do pai de Dean, que obriga o casal a voar às pressas para a Califórnia, um estressor inesperado na forma de uma família disfuncional rica e que vive de aparências. Neste volume, os dois assumem alternadamente a carga narrativa em cada capítulo e entendemos melhor como a cabeça de Dean funciona, seu passado traumático e a razão dele ser tão protetor com sua esposa – o que não significa ser uma boa coisa para ela ou para os dois, diga-se de passagem.

A última coisa que os dois precisavam naquele momento era lidar com a amargura e frieza da família West, mas família é família e nosso amado Dean ainda acha que é o responsável por consertar e sustentar o mundo ao seu redor – uma característica que a autora soube usar, ora como qualidade, ora como defeito e que deu ainda mais camadas ao já complexo personagem. Liv também não é mais a mesma, e apesar de feliz de poder estar ao lado do marido e de sua família num momento tão ruim, sabe que não é aceita e nem bem-vinda: ainda mais quando se depara com uma importante parte do passado recém-descoberto do marido muito à vontade na cozinha dos West. Para evitar spoilers, infelizmente, não posso entrar em detalhes, porém, o que posso contar é que esta visita à Califórnia vai ocupar boa parte do livro e ser recheada de angústias para Dean e Liv.

A coisa fica bem sufocante em especial para Liv, que está renascendo como mulher e buscando seu objetivo de vida para além da sua relação, o que foi muito estimulante de ler, pois esta é uma busca que mexe com os alicerces da personagem. Como a autora decidiu explorar melhor a época de namoro dos dois em flashbacks, isso nos dá detalhes importantes para compreendermos melhor o que levou o casal a ser como é em termos de individualidade, e como isso se reflete em sua vida matrimonial, para o melhor ou para o pior.

Novamente dividido em três partes, “Desejar” tem uma quantidade muito maior de cenas quentes do que seu antecessor, afinal, este é um casal que se ama muito e em processo de reconciliação, o que gera enormes faíscas para todos os lados. Mas, lá para o fim do livro, a autora joga uma bomba enorme no nosso colo e no do casal quando eles descobrem, numa sessão de terapia, um aspecto sobre sua relação amorosa/sexual que faz repensar praticamente tudo o que lemos até ali. Sabemos que os dois têm um problema sério de comunicação, entre outras coisas, piorado pela atitude protetora e possessiva de Dean e o passado problemático de Liv, mas eu JAMAIS poderia esperar por aquela conclusão a respeito dos dois. Nina Lane, novamente, me surpreendeu com suas decisões criativas extremamente coerentes e maduras e, no fim, acaba por nos fazer amar esse casal por causa de suas imperfeições, aquilo que os torna profundamente reais em suas ambiguidades e atitudes. Dean e Liv poderiam ser amigos de qualquer um de nós, para quem ferrenhamente torcemos para dar certo e se resolverem, mas a quem somos obrigados a assistir cometerem um erro atrás do outro, mesmo que tentando acertar.

Se “Despertar” teve um cliffhanger muito desesperador para o leitor, como já mencionei, “Desejar” não fica nem um tantinho atrás, mesmo que este não seja tão evidente quanto o do seu antecessor. Podem acreditar: se no primeiro livro o passado foi parte importante para o conflito e que ainda traz consequências para os dois, aqui o problema real se esconde no presente de diversas maneiras e quando decide erguer sua cabeça horrorosa, passa como um trator pela vida profissional de Dean, arrasa a frágil confiança que o casal havia reencontrado, mexe com seus sonhos e nos deixa de coração bem apertado. A autora termina a história com uma tênue luz de esperança e que eu espero que se concretize satisfatoriamente em “Declarar”, terceiro volume da série e que será publicado ainda esse ano – GRAÇAS A DEUS!

Depois de tudo isso, eu não tenho como não recomendar a leitura!


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