sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Destino Tentador




Cronologicamente falando, o segundo volume da Série MacGregors não se passa muito tempo depois de seu antecessor, Jogo de Sedução, mas os dois divergem em aspectos que me deixaram bastante animada para ler o restante dos livros, pois quem leu a resenha do primeiro volume sabe que ele não me conquistou tanto assim. Nesse aspecto, Caine MacGregor e Diana Blade fizeram um trabalho muito melhor do que Serena MacGregor e Justin Blade. 

O uso dos nomes e sobrenomes desses quatro personagens foi totalmente proposital, pois o que temos aqui são dois melhores amigos apaixonados pelas irmãs um do outro. Mas as relações não poderiam ser mais diferentes: se Serena cresceu tendo Caine como seu amigo e saco de pancadas, Diana cresceu sem Justin desde os seis anos de idade, quando este a deixou aos cuidados de sua tia Adelaide e partiu para ganhar o mundo. Quando ela recebe um convite de Serena para visitar os dois no Hotel Comanche, a curiosidade e a mágoa ainda persistentes levam Diana até Atlantic City e ao confronto que ela esperou por vinte anos. A jovem não estava preparada, porém, para ver em carne e osso a lenda de Harvard, Caine MacGregor, advogado e mulherengo – não necessariamente nessa ordem.

Como no primeiro volume, tudo aconteceu muito rápido do ponto de vista narrativo: mesmo que Diana resista, inicialmente, a paixão entre ela e Caine é praticamente instantânea e logo no segundo capítulo os dois se beijam numa praia deserta. Sua mágoa de vinte anos pelo irmão tê-la abandonado com uma tia controladora e gananciosa, aparentemente, é resolvida no terceiro capítulo e isso me deixou EXTREMAMENTE incomodada. Considerando que esse abandono foi o que moldou tudo o que Diana Blade se tornou, achei que ele deveria ter ocupado um espaço maior na história, mas tive a impressão de que Nora Roberts queria tirar do caminho o mais rapidamente possível qualquer coisa que atrapalhasse ou tirasse o foco do jogo de gato e rato que Caine e a protagonista começam a jogar.

Caine MacGregor é um protagonista masculino muito mais envolvente e sedutor do que Justin Blade foi, além de ter também o sarcasmo característico da sua profissão. Diana é mais interessante e complexa do que a perfeita Serena MacGregor, pois seu passado doloroso e as inúmeras amarras emocionais lhe deram camadas que a protagonista do volume anterior não tinha. “Destino Tentador”, portanto, foi um livro que gostei mais por me parecer mais crível e menos fantasioso e com um casal muito mais interessante do que o anterior.

Como vocês podem adivinhar pelo título, o tema “destino” rodeou toda  trama: como bom descendente de escoceses, Caine acredita nele e Diana insiste que são apenas coincidências o fato dele ser melhor amigo de seu irmão, advogado e formado em Harvard como ela, ambos morarem em Boston a uma quadra um do outro... Se era ou não destino, essa parte ficou meio óbvia, já que se trata de um romance e a gente já sabe de antemão que os dois ficarão juntos. Sendo esse um tema recorrente e já até “batido”, deixei passar e preferi me concentrar na maneira como Nora Roberts pretendia desenvolver seus protagonistas. 

A questão para Diana era não querer ser mais uma das muitas conquistas na lista de Caine. O bom é que nesse momento a autora parece lembrar das questões de abandono da protagonista e se não, usa a relação dos irmãos para falar a respeito, ela prefere aprofundar um pouco mais nesse assunto e nos mostrar as consequências disso na vida da Diana adulta. Ela é uma mulher que aprendeu a duras penas a controlar-se por medo da tia e de ser novamente deixada para trás, a nunca permitir que seu temperamento e sangue índio – como ela mesmo coloca – floresçam, e a conter e disciplinar toda e qualquer emoção na sua vida. Tudo foi milimetricamente calculado em seu mundo para que nada saia de seu controle, mas quem é que controla o coração?

Caine MacGregor apareceu na vida dela justamente para abalar todas essas estruturas somente com um único olhar e com a confiança inata de um homem que sabe o que quer e sabe se conduzir no jogo da sedução. O bacana é que a autora não expõe apenas as fragilidades de Diana, embora elas tenham maior destaque, mas há vulnerabilidades em Caine que me surpreenderam e em um dado momento o personagem se percebe inseguro e tateando desconfortavelmente ao sondar o próprio coração. E é assim, tropeçando nos próprios sentimentos e não tendo procurado nada disso, já que era destino, que os dois resolvem-se em um final fofo, mas explosivo como o próprio casal.

Leve, curto, descomplicado e mesmo tendo alguns problemas já mencionados, Destino Tentador foi uma leitura que me agradou e independente desses pontos, foi uma luz para me fazer continuar lendo o restante da série. 


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