sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Ônix




Nesse segundo volume da Série Lux, “Ônix”, Daemon e Katy continuam tretando sem parar e se as coisas pareciam complicadas em “Obsidiana”, as cem páginas a mais deste volume só demonstraram que a autora não havia ainda nem arranhado a superfície da sua própria trama. Isso só me deixa mais esperançosa ainda de que teremos uma série não só bem-pensada e coesa, mas interessante e original de se ler.  

Os protagonistas estão física e emocionalmente conectados, algo que Katy se refere como “abracadabra alienígena”, consequências da pesada luta contra os Arum que fechou o volume anterior. Em um ótimo timing – só que não – Daemon resolveu escolher esse momento para demonstrar o que sente pela nossa personagem feminina. Obviamente, como toda adolescente desse mundo pensaria, ela acha que a paixão do rapaz alien é fruto da conexão pós-batalha e tenta resistir aos seus inúmeros avanços românticos. Afinal, ele agia como um completo babaca com ela quase que o primeiro volume inteiro, como é que agora resolveu que gosta dela? A única resposta possível? Vodu alienígena.

Apesar dessa linha de pensamento render momentos bem engraçados, graças a Deus a narrativa não se resume a isso, pois já temos livros o suficiente sobre protagonistas que se alternam em admitir sentimentos. Aqui encontramos mortes, um gatinho novo que chega à cidade cheio de segredos e com informações demais sobre os Luxen e o DOD americano fungando no cangote dos Black de um jeito ainda pior... Nada, porém, havia nos preparado para o que Jennifer L. Armentrout aprontou nesse volume.

A escrita vertiginosa da autora continua afiada, assim como os diálogos que constrói cheio de farpas e química entre Katy e Daemon, mas se no primeiro volume a questão era a ameaça dos Arum, aqui o problema é totalmente humano: Como a autora já havia dado pistas, o DOD parece de fato saber mais sobre as capacidades dos Luxen do que demonstra. Os agentes estão mais desconfiados e menos amistosos e quando Katy começa a perceber que estar conectada com Daemon é a menor de todas as consequências que sofreu, a autora joga uma enorme bomba no nosso colo na forma de uma pessoa que reaparece e que, para todos os efeitos, não deveria nem estar viva. Isso abre enormes possibilidades na trama e é o fio condutor até um final explosivo e que me deixou completamente ansiosa para começar o terceiro volume, “Opala”, para ontem.

A irmã de Daemon, Dee Black, ganha certo protagonismo já que a autora criou um arco paralelo apenas para ela e quando este se completa, Jennifer deixa em aberto possibilidades muito instigantes para esta adorável personagem. Os outros Luxen também estão mais presentes, assim como as novas amigas humanas de Katy e Dee, Carissa e Lesa. Não sei até que ponto teremos novos personagens para conhecer e o quanto esses que já chegaram irão saber a respeito dos alienígenas da vizinhança, mas se as coisas continuarem acontecendo na história com toda esta magnitude já vistas em “Obsidiana” e “Ônix”, vai ficar complicado e até mesmo incoerente que apenas uns poucos saibam o que de fato rola na pequena Kettermann. Estou curiosa em saber como a autora lidará com esta questão.

Depois de aprender em primeira mão o que os Arum são capazes de fazer e entendendo que saber do segredo da existência dos Luxen ameaça não só a sua própria vida e a de seus amigos, mas também de sua mãe, a única família que lhe resta, Katy não quer nem saber de bancar a mocinha indefesa. Esse é um dos pontos positivos de termos uma protagonista que mesmo sendo uma adolescente e se comportando como tal, o que pode ser um pouco irritante, mesmo sendo coerente, ela é dona do próprio agendamento e não serve apenas como apoio do “protagonista masculino perfeito”.  

Mesmo ainda necessitando ser salva em algumas ocasiões, por conta dos desdobramentos da trama, ela aprende maneiras de se defender sem a ajuda constante de Daemon. Isso o deixa maluco, obviamente, pois Katy já provou ser muito corajosa, mas também cabeça-dura e temerária e depois de assistir em primeira mão o que pode acontecer quando um Luxen têm sentimentos por uma humana, a última coisa que Daemon precisa é de sua kittycat bancando a She-Hulk por aí. Esse desentendimento entre os dois vai reverberar por toda a trama e resultar em tragédias inesperadas e muito arrependimento em ambas as partes. Para um segundo volume de cinco, a autora não parece nem um pouco preocupada em colocar o pé no freio ou de poupar personagens e nossos sentimentos.

Se seguir nesta linha, “Opala” deverá ser uma aventura e tanto!  



Nenhum comentário:

Postar um comentário