sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Uma Noite Como Esta


Este é o segundo volume da quadrilogia Smythe-Smith de Julia Quinn, que se passa no mesmo universo da Série Bridgertons e traz como protagonista a jovem Anne Wynter, a governanta das primas das jovens responsáveis pelo pior concerto anual de Londres. Ela apareceu para nós em Simplesmente o Paraíso como um adendo de último minuto para substituir Sarah no piano, a Smythe-Smith que se recusou a tocar e fingiu estar doente. 

Eu já havia comentado na resenha anterior que tinha achado as menções ao irmão de Honoria, protagonista do primeiro volume, um pouco “jogadas", ainda mais quando ele reaparece no fim da história sem muitas explicações. Como futuro par de Anne e o verdadeiro Smythe-Smith da história, Daniel, o conde de Winstead, compensa toda essa falta de background que me incomodou, tendo todo o seu arco narrativo explicado e ampliado aqui. 

Anne tem um segredo muito doloroso e não pretende deixar que nenhum homem se aproxime perto o suficiente para fazer algum novo estrago. Ela lutou muito e ainda luta para superar, se reerguer e se reinventar, mesmo que sinta-se balançada por um sedutor COM coração como Daniel. Ela também está mega consciente de sua posição como governanta e a dele como um nobre, e quem leu Um Perfeito Cavalheiro  sabe qual costumava ser o destino das moças de classes inferiores nessas circunstâncias. Anne me atraiu pela forma como Julia Quinn construiu sua dignidade, seu passado e como ela ainda é um reflexo dele. Seu triunfo esperado - isso não é spoiler, pois este é um tipo de literatura que você já começa sabendo exatamente onde vai chegar - e é um bálsamo delicioso se você é um leitor que se identifica com a ideia de superação de traumas.  

Daniel, por outro lado, não sabe de nada disso e carrega a sua própria cota de arrependimentos, dadas as circunstancias com seu grande amigo Hugh e o juramento do pai deste, lorde Ramsgate. Isso não o impede de ficar completamente fascinado e atraído pela nossa protagonista e não desistir de persegui-la. Mal voltou para Londres depois de anos jurado de morte por conta de um duelo e já está atrás de um rabo de saia! Temos que amar esses libertinos de época literários e suas prioridades!

Para conseguir descobrir mais a respeito da misteriosa Srta. Wynter, o jovem conde acaba tendo que passar mais tempo com as primas Plainsworth, em especial as três mais jovens irmãs de Sarah, de quem Anne é a responsável. Aqui começa toda a diversão do livro, pois tanto quanto a relação amorosa entre os protagonistas, eu me peguei esperando ansiosamente que as terroristas mirins aparecessem. Afinal, poucas coisas podem ser tão desconcertantes e hilárias quanto a sinceridade infantil – a não ser que Lady Danbury e sua bengala aparecessem, é claro. 

Nesse ponto, acredito eu, é possível traçar paralelos entre este volume e O Visconde que me Amava, já que este também se sustenta no humor nos diálogos, em um casal que possui um passado difícil que acaba por definir suas vidas até se apaixonarem e em um homem que ama profundamente as mulheres de sua vida e se sente responsável por elas. Fora a imensa sensualidade das cenas românticas e os perigos e emoções que precisam enfrentar até ficar juntos! Daniel e Anthony poderiam ser grandes amigos, dadas as semelhanças e se você é como eu, totalmente  apaixonada pelo visconde Bridgerton, prepare-se para amar o conde de Winstead também! 




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