sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Caixa de Pássaros - Não Abra os Olhos







Aproveitando o lançamento do trailer da adaptação deste livro pela Netflix e a coincidência do nosso Especial de Halloween, resolvi finalmente me aventurar naquela que é uma das histórias mais originais que já tinha lido do gênero terror. É impressionante constatar que esse é o romance de estreia de Josh Malerman, pois escreve como um veterano e consegue prender o leitor até as últimas páginas – uma expressão muito usada, mas que é totalmente aplicável aqui – com sua trama aterrorizante.

Imagine que você não vê o mundo exterior há quatro anos. Seus filhos, da mesma idade, não conhecem o azul do céu, ou o verde do gramado, mas apenas a escuridão por trás da faixa que precisa, constantemente, cobrir seus olhos e os deles quando a necessidade os leva para fora da casa abandonada onde vivem. Toda e qualquer porta ou janela para o mundo exterior precisa estar cuidadosamente coberta e fechada, para a sua própria segurança. Não há eletricidade, água corrente, comunicação, pessoas que podem lhe ajudar ou governo para dar respostas. Você está completamente sozinho e seus filhos pequenos que dependem unicamente de você para sobreviverem.

Se já está suando frio, bem-vindo ao acontecimento que é a leitura de “Caixa de Pássaros”!

Em resumo, o mundo enlouqueceu – mais do que conseguimos imaginar – e a população foi acometida por violentos impulsos assassinos/suicidas, muito piores do que os terrores com os quais já estamos “acostumados”. Não se sabe como, onde ou exatamente o motivo, havia apenas a suspeita de que “algo” ou “alguma coisa” provocava esse efeito: bastava olhar para não se sabe o quê e o resultado era assassinato seguido de suicídio. Mães matavam seus filhos, maridos às suas esposas e estranhos barbarizavam a outros estranhos, deixando para trás um amontoado de corpos e nenhuma resposta. A população mundial sucumbia gradativamente e aos poucos sobreviventes restava se esconderem, cobrir os olhos e tomarem extremo cuidado de nunca, em hipótese alguma, olhar o que quer que estivesse dominando naquele momento.

Essa é a realidade da protagonista, Malorie, e de seus filhos, Garoto e Menina (não esqueci os nomes, é isso mesmo), quando nos deparamos com eles logo no início. Passeando em duas linhas temporais e com capítulos enxutos, “Caixa de Pássaros” mexe com o terror do não-visto, com aquilo que a nossa imaginação é capaz de criar apenas a partir dos sons ao nosso redor. Esse, em minha opinião, é o pior tipo de medo e a melhor maneira de contar uma boa história para assustar. Algo, alguma coisa ou alguém estava por trás da derrocada de nossa civilização e o fato de ninguém ter sobrevivido a uma única olhadela, só tornava a vida ainda mais desesperadora, pois como lutar e assim sobreviver a algo que você não pode ver, em hipótese alguma?

Encontramos Malorie no momento em que ela está prestes a empreender uma arriscada fuga com seus filhos pelo rio que fica alguns metros além da casa onde vive. Eles entram em um barco, com a protagonista remando, enquanto seus filhos usam seus apurados ouvidos para orientar a mãe no processo. Todos com os olhos vendados, buscando um novo lugar para viver e talvez, livrar-se do que quer que tenha causado esse apocalipse. Mais a respeito da história não vou dizer, pois esta é uma experiência que precisa ser vivida pelo leitor e qualquer tipo de spoiler estragaria toda a ambiência criada por Malerman.

As referência do autor ficam bem claras, passando de Stephen King, que popularizou o terror psicológico, a nomes como o clássico Lovecraft. A escrita é angustiante de se ler, a história consome de uma maneira como há muito tempo não acontecia comigo e mesmo tendo seus deslizes aqui e ali, não é nada que comprometa o resultado final. Este será o companheiro perfeito para quem quer se deixar levar pelas paranoias, ansiedades e o elementar medo do desconhecido de todos nós.

Recomendo e muito! 



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