quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Como Dizer Adeus em Robô





“— Por que está com tanto ciúme? — perguntei. — Não é como se você fosse meu namorado nem nada. Você é?
— ”Namorado” é uma palavra tão idiota — falou Jonah. — Não, não sou seu namorado. Achei que estávamos muito além disso. O que somos não pode ser descrito por palavras triviais como “namorado” e “namorada”. Até mesmo “amigos” não chega nem perto de descrever.”

Até esse momento eu tive muita sorte em ter escolhido livros que mexiam comigo de uma forma sutil e ao mesmo tempo forte, passei por quase todas as classificações literárias que meu psicológico permitiram e me apaixonei por muitos deles facilmente. Agora, depois de falar sobre muitos desses livros para vocês aqui, não sei como começar a falar de “Como Dizer Adeus em Robô” da Natalie Standiford.

O livro começou com uma ideia simples, original e melancólica, me deixou curiosa depois de ler alguns trechos dele aleatoriamente e então me joguei na leitura com bastante entusiasmo, mas de algum modo ele ficou pelo meio do caminho e o que sobrou foi uma relação ambígua de amor e ódio com o livro.

A história fala sobre a forte ligação e amizade entre Bea e Jonah, dois adolescentes, que se conhecem na escola e se aproximam enquanto participam de um programa de rádio durante a madrugada. Entre teorias da conspiração e uma relação forte e complicada os dois passam juntos por seus problemas e mágoas, mas também causam outras feridas um no outro, e eu me encantei por eles um pouco rápido demais.

Bea é uma menina comum, e apesar de ser bastante sensível as coisas ao seu redor, consegue esconder bem seus sentimentos em baixo de silêncio e desdém, o que leva a mãe dela a chama-la de robô e de “sem coração”. Os pais dela são completos malucos, na minha humilde opinião, mas é difícil apontar quem não é um pouco doido nesse livro.

Jonah... Bom, é o Jonah. Ainda estou procurando uma forma de conseguir descrever o enorme vazio que ele é, mas não consigo ver isso como um ponto totalmente negativo no caso do personagem. Ele é misterioso, muito aliás. Obviamente ele tem uma história por trás que faz dele o “Garoto Fantasma” que é, e não é uma história nem um pouco bonita. Jonah é uma interrogação do início ao fim do livro, mas consegue fazer a gente amar cada pedacinho dele.

Pode parecer, com tudo o que eu disse até agora, que eu posso não ter gostado do livro, mas nem isso eu consigo dizer com certeza. Depois de algumas paradas na leitura, muitos xingamentos, e um final que me deixou com mais perguntas que respostas “Como Dizer Adeus em Robô” conseguiu fazer com que eu gostasse dele. Vai entender, não é?

A escrita da Natalie é fácil de ler, uma simplicidade que acaba conquistando o leitor e conduzindo a gente até o fim do livro sem muitas complicações. O difícil mesmo é lidar com as expectativas do início da leitura que, são praticamente jogadas na lama. Os personagens são encantadores de uma forma estranha e inexplicável, aliás, como quase tudo nesse livro. E o final não é fechadinho como normalmente esperamos que seja, mas eu particularmente não tenho problemas com isso.

Mas se tem uma coisa que eu posso falar que eu amei com toda a certeza do mundo, foram as referências musicais e cinematográficas que a autora soltou durante o livro. Pra quem gosta de música e filmes antigos o livro é maravilhoso.

Contudo, a sensação que eu tenho no final, é que esse é um livro do tipo que precise ser lido mais de uma vez para ser compreendido completamente. Ou quem sabe, ser lido em momentos diferentes para talvez pensarmos nele também de formas diferentes. 


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