quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Criaturas e Criadores - Histórias para Noites de Terror







Hoje é o último dia da nossa semana #EspecialHalloween e me sinto honrada de estar aqui para encerrá-la. Quando iniciamos este projeto, eu não imaginava que seria tão divertido e tão revelador – sim, eu não leio quase terror – mas cá estamos com um sentimento de saudades e muito orgulho deste especial incrível. Para finalizá-la, trouxemos uma homenagem a alguns clássicos do terror mundial em parceria com alguns autores nacionais – sim, nosso povo é lindo demais! – e com isso apresento a vocês a coletânea de contos Criaturas e Criadores:  Histórias Para Noites De Terror.

Um aviso: não contarei aqui quais são os contos, quero que vocês adivinhem conforme a leitura. Acreditem, não é tão difícil assim (:

O livro começa com o conto “A Criatura” de Raphael Draccon, onde somos apresentados a um cenário bem “comum” – infelizmente no nosso cotidiano – o clima de guerra dentro das favelas cariocas. Nossa, mas como vamos ter nosso clássico de terror dentro desse recorte? Segura na poltrona que eu conto as coisas!

Já imaginaram um médico sendo procurado pela polícia? Pois bem, neste conto conheceremos o Doutor Victor, um cirurgião, que é considerado um dos criminosos mais chocantes do momento. Afinal, ele e somente ele tem as respostas para a criatura que tem assombrado a todos que adentram a favela, inclusive ao BOPE – o famoso Batalhão de Operações Especiais. E foi por causa destas tais perguntas sem respostas que conhecemos Elizabeth, uma jornalista e youtuber, que vai até o pico mais alto da favela para uma entrevista entre ela e o misterioso médico.

Com uma escrita incrível e sinuosa, Raphael consegue nos deixar de cabelos em pé enquanto desvendamos a cabeça sinistra de um médico em busca de glória, de uma mulher que sonha com o auge a todo e qualquer custo, e com um homem que teve sua vida e essência levadas, para viver à sombra pútrida da morte.

O segundo conto talvez seja o que te dá a dica mais escancarada de qual clássico está trabalhando: “Conde de Ville”, da autora Carolina Munhóz.

Com sua marca registrada – a fantasia - Carol nos apresenta Elisabeth, uma jovem escritora de contos de terror - coincidências? Magina!  - que por algum motivo bizarro não consegue escrever uma linha sequer nos últimos tempos, como se toda a inspiração dela estivesse se esgotado. Bem, isso até ela conhecer o novo trabalho do namorado em uma casa noturna recém-inaugurada, a “Conde de Ville”, e é com um clima tenso e um tanto familiar para nossa garota que ela conhece o misterioso dono do lugar, Vlad, mais conhecido como V.

Com um mix de romantismo e sobrenatural, testeunhamos um sentimento que ultrapassa vidas, como o amor condenado e atormentado de uma garota comum por uma criatura da noite, que possui um fervor ainda maior que o dela. Eu amo vampiros, e ler esse conto me deixou louca, mas eu queria tanto mais, sabem? Acho que o final foi muito corrido, eu queria bem mais.

O terceiro conto é “Por trás da máscara”, que por sinal é o maior conto do livro todo. Nele conhecemos Christine, uma jovem cantora que deveria estar em êxtase diante de tamanha conquista – a de estudar em um dos mais conceituados  institutos de artes de seu país –, mas que vive o oposto disso, pois sofre a dor da perda e a ausência de vida em sua voz. Christine sonhou esse sonho com seu pai, que veio a falecer, e sem ele, ela já não enxerga motivos para seguir em frente e realizar o que planejaram juntos. Ela só quer viver, ou melhor, sobreviver a este período depressivo, mas esse sentimento tem consequências, e dentre elas, o risco de perder sua tão sonhada vaga na escola. 

Desesperada e desolada, nossa garota vai atrás de uma lenda urbana no campus a respeito de um fantasma que habita um teatro abandonado do instituto. Mas este não é um fantasma qualquer, e sim a alma de um dos melhores e mais rigorosos professores de todo a instituição, que buscava entre suas pupilas a voz perfeita.

Com a mistura de sensações que a narrativa provoca, conseguimos sentir tudo o que os nossos personagens sentem: amor, dor, perdas, e paixão, muita paixão. Isso tudo além de descobrir o valor de se ter amigos, o que pra quem me conhece vale mais que o mundo – ponto pra Frini.

É perceptível para qualquer leitor a paixão da autora por seu clássico, e foi por conta de toda essa intensidade e carinho que escorriam pelas páginas, que foi impossível soltar desse conto enquanto haviam palavras ainda a serem lidas. E eu preciso dizer que amei essa tamanha devoção, porque foi através de todo esse cuidado que eu não consegui largar um minuto a leitura. E eu preciso de um surto de fangirl rápido: Que fantasma, meu povo!! Me chama de meu anjo que eu canto pra sempre! HAHAHAHHAHAH (parei).

O último conto e não menos importante é o “Sorriso do Homem Mau”, de Raphael Montes, que preciso já avisar que é bem ao estilo Raphael de ser, todo trabalhado no macabrinho.

Aqui conhecemos Pablo, um dentista que aparenta ser o homem mais feliz da terra. Bom profissional, bom pai e bom marido, o cara é tudo de bom! Mas, o ponto é: Ele se sente feliz? Ele é feliz? Ser feliz para o mundo é fácil e pra si mesmo, será que é?

A vida feliz de Pablo começa a ruir quando ele passa a ganhar certas manias e a passar por apagões de sua vida. Mas, como assim? Além de estar tomado por obsessões, nosso dentista começa a ter fragmentos de seu cotidiano apagado, onde ele não lembra o que houve e nem muito menos o que ele fez. O que ninguém espera, muito menos Pablo, é descobrir que por trás de um homem bom, vive um monstro alimentado por invejas e frustrações, que é capaz de ferir e causar muita dor.

Honestamente, Montes me deixou desesperada e de cabelos em pé com esse conto, e eu não esperava menos dele. Com sua escrita sinistra e incrível, Raphael nos torna viciados até o fim da leitura de uma forma, que é IMPOSSÍVEL PARAR DE LER. É chocante o jeito como somos apresentados aos acontecimentos e mais ainda é terrível ver a forma como Pablo em seu lado mau são descritos, bem no auge da insanidade.

Amo ser surpreendida e com essa coletânea foi tudo além do que eu imaginava. Com muita perfeição, cuidado e muito respeito, fomos apresentados a ícones clássicos da  literatura de terror em nosso “mundinho” atual, e eu preciso dizer que foi fantástico ler cada uma dessas histórias. "Criaturas e Criadores" é o típico livro que você começa se apegar e não larga mais até acabar. Então, aí vai um conselho de leitora: não leia à noite, ou você vai passar a madrugada toda em claro!

Se eu indico essa leitura? É obvio que sim! E digo mais: Frini, Carol e Raphas, já estamos aceitando crossovers dessas obras primas!!


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