sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Orgulho e Paixão



Depois de terminar o volume anterior, Destino Tentador, não consegui esperar e corri para este que é o livro seguinte, pois estava muito curiosa para saber como Nora Roberts iria construir Alan MacGregor, o filho primogênito cauteloso e intenso de Daniel e Anna. Ele parecia destoar um pouco do restante da família, assim como sua mãe, demonstrando os traços da polidez, elegância e sensatez que os guiaram primeiro como advogado e atualmente, como senador dos Estados Unidos. Fiquei também curiosa com o tipo de mulher que a autora escreveria. Alguém perfeita como Serena MacGregor? Aristocrática como Diana Blade?

Eu não estava nem remotamente preparada para Shelby Campbell. E ele, menos ainda.

Primeiro, porque esta foi a primeira vez que a personagem feminina não é descrita como sendo “linda”, ou dentro dos padrões impossíveis de beleza que encontramos nesses romances. Segundo, porque ela é o oposto de Alan em pontos muito cruciais e que serviram de mote para a tensão entre os dois – e preciso mencionar que foi a primeira vez que senti que um livro dessa série deveria ser mais longo e explorar mais esses conflitos na narrativa que a autora lançou. Terceiro, porque Alan MacGregor vai se tornar, em um futuro mais ou menos próximo, o candidato de seu partido para concorrer à presidência e Shelby, com seu estilo exuberante, extrovertido e boêmio não parecia talhar uma futura Primeira-Dama. Afinal, como a própria personagem diz em um dado momento, ela não é nem mesmo uma dama na maior parte do tempo... E é justamente por isso que ela é a pessoa certa para Alan.

Filha do falecido senador Robert Campbell, Shelby transita pelo mundo político de Whashington com a facilidade de quem cresceu em campanhas políticas, mas com o desdém de quem não faz a menor questão de pertencer mais a esse tedioso mundo. E tédio é algo que Shelby procura evitar a todo o custo. Alguns a adoram por ser uma ceramista excêntrica, dona da loja onde vende seus próprios produtos há três anos e nem um pouco preocupada em agradar, o que faz dela uma mulher com uma autenticidade que beira a insolência. Já outros a acham escandalosa e deselegante, uma figura pitoresca que frequenta os melhores ambientes da cidade, mas que não pode e nem deve pertencer a eles a menos que se adapte.

A gaiola pode até ser de ouro, mas ainda é uma gaiola. E Shelby não pretende se deixar prender novamente e menos ainda de colocar seu coração em risco no jogo político. Uma das poucas regras que a personagem segue é uma que criou para si mesma: não se envolver com políticos. Essa resolução sofre um abalo sísmico, sem ela se dar conta, quando conhece um homem misterioso e sedutor numa festa na casa de uma amiga.

Agora, imaginem essa mulher atraindo a atenção de Alan MacGregor apenas com a sua risada e roupas coloridas: um homem sólido e competente, acostumado a ter modelos em tubinhos pretos a tiracolo, quase como enfeites para seu braço, mirando o Salão Oval como seu objetivo de vida. Alguém discreto e elegante, sóbrio e intenso, mas com traços de sua personalidade que foram abafados e polidos para sustentar sua persona pública. E são esses traços de sua personalidade que chamaram por uma mulher como Shelby e foi um deleite de ler o quanto essa oposição entre eles resultou em um encaixe benéfico, belo e saudável até, para os dois.

Não foi uma questão de meramente dois opostos que se atraíram, mas de duas pessoas que nem sabiam exatamente de que precisavam uma da outra para se equilibrarem. Shelby é capaz de trazer à tona o lado mais passional e bem-humorado de Alan, que por sua vez lhe oferece a estabilidade e a calma no olho do furacão. Tudo isso embalado por uma rixa secular entre os clãs escoceses Campbell e MacGregors, que permeia toda a trama e tem seu ápice quando a lass encontra o patriarca Daniel em sua casa-castelo em Hyannis Port, um homem extremamente apegado ao seu nome, seu clã, suas cores e brasão. Como boa descendente de escoceses que é, Shelby não foge de um confronto, mesmo que no caso específico de seus sentimentos conflituosos por Alan, tudo o que ela mais deseje seja fugir.

Partindo para o óbvio, amei o casal. Amei a personagem imperfeita, humana, destoante e encantadora que Shelby é. Amei que Alan, depois de Daniel, não é meu MacGregor preferido à toa: ele quer e vai ter o cargo e a mulher que ama, sem sacrificar seu chamado ou a luz dela.  E essa sensibilidade de lutar com o que for preciso para que Shelby continue sendo livre, independente de suas escolhas políticas, soa até como algo ingênuo, pois todos precisamos nos adequar às nossas próprias escolhas. Mas, só o fato de perceber o que a mulher que ele ama precisa para respirar, faz de Alan um herói romântico à moda antiga, disposto a enfrentar perigos para que ela permaneça a salvo.

O caminho dos dois será tortuoso, mas como alguém que se considera otimista, acredito em finais felizes. Mesmo que o livro seja CURTO DEMAIS para que vejamos esse futuro acontecer!  



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