sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A Soma de Todos os Beijos





No terceiro volume do Quarteto Smythe-Smith, a jovem da vez é lady Sarah Plainsworth, prima-irmã de Honoria e Daniel Smythe-Smith. Conhecemos a moça lá no primeiro volume, “Simplesmente o Paraíso”, quando inventou uma desculpa para faltar ao evento musical de sua família e evitar o que ela considera uma humilhação anual. Essa atitude de Sarah colocou para rolar as engrenagens que nos levaram até “Uma Noite como Esta”, já que sua substituta de última hora foi a preceptora de suas irmãs mais novas, senhorita Anne Wynter, e foi assistindo à “performance”, recém-chegado do exílio, que o Conde de Winstead se apaixonou por ela.

Encontramos Sarah em meio ao seu mais novo “pesadelo”: o casamento duplo de seus primos já citados com seus respectivos amores. Como se já não bastasse ter que assistir a tudo isso, ela ainda é madrinha de Honoria – uma honra que ela aceita de forma agridoce, pois isso só a faz lembrar da sua condição de ainda solteira. Mas não pensem que lady Plainsworth é invejosa, pois ela tem um coração muito bom e totalmente voltado para sua família, uma lealdade canina que acaba ficando sem sentido depois de um tempo. É esse zelo até mesmo excessivo que a faz odiar com a intensidade de mil sóis a figura de Hugh Prentice, o filho do marquês de Ramsgate e um dos responsáveis diretos pelo exílio de Daniel. Aquele duelo idiota entre os dois por conta de um jogo de carteado no qual ambos estavam bêbados demais para serem coerentes, resultou em seu estado de atual solteirice.

Pelo menos em sua cabeça BASTANTE dramática.

Hugh Prentice convive até hoje com as consequências do famigerado duelo, pois ficou aleijado de uma das pernas. Seu pai, movido por vingança, empreendeu uma caçada ao melhor amigo do filho e durante anos, Hugh tentou convencer o marquês de que a culpa pela lesão era única e exclusivamente sua, já que propôs o duelo por ter perdido o jogo em primeiro lugar. Mas o teimoso marquês, convencido de que seu filho jamais poderá gerar o herdeiro que ele tanto deseja por conta do tiro na perna, só cancela sua busca por Daniel depois de um elaborado ultimato de Hugh e este não fazia IDEIA da quantidade de problemas que isso iria causar.

Este livro foi o que menos me envolveu, já que tive enormes dificuldades de simpatizar com Sarah ou me solidarizar com ela em sua disputa imaginária com Hugh. Só continuei a leitura até o fim porque o protagonista masculino é de uma inteligência que beira a genialidade, além de carismático e envolvente, com um senso de humor negro e uma queda quase paternal por Francis, a irmã caçula de Sarah (ainda) obcecada com unicórnios e minha Plainsworth favorita. Gostar e torcer por Hugh Prentice é uma tarefa facílima e apesar de achar que ele, talvez, merecesse no fim uma mulher mais madura, Sarah vai parecendo incrível vista pelos olhos do amor e conforme a narrativa caminha, a gente acaba tentando perdoar os mimos da personagem por conta do sentimento dele por ela.

Recluso e com zero disposição ou interesse na sociedade londrina, Hugh não tem como se negar a ir aos casamentos de dois dos seus melhores amigos e faz um enorme esforço para aturar a companhia de Sarah, que foi amarrada a ele durante aquela semana por Honoria, que quer que ele se sinta bem-vindo e que a sociedade perceba que pelo menos entre os amigos, a história do duelo foi completamente superada.

Hugh não consegue compreender por que lady Plainsworth ainda o odeia tanto (nem nós, os leitores), se até mesmo as pessoas diretamente atingidas já colocaram esse assunto para trás. Mas, para além da lealdade familiar, uma razão que Julia Quinn faz bastante questão de frisar – e em minha opinião, não colou muito – o problema real é que ela acha que Hugh acabou com suas oportunidades de casamento, já que Daniel teve que fugir na temporada em que ela e Honoria iriam debutar e na qual QUATORZE cavalheiros se casaram.

Podem acreditar, ela FAZ QUESTÃO de repetir essa informação mais de uma vez, como se isso fosse alguma garantia de que teria se casado com algum dos quatorze em primeiro lugar. Por boa parte do livro, penso eu, Sarah se comportou de forma abominável com Hugh por motivos frívolos e só consegui parar de sentir um ranço absurdo por ela já quase no final do livro. Parece escapar à compreensão da jovem o tamanho do fardo de culpa que Hugh carrega, além da lesão extremamente dolorosa e incapacitante, do pai doido e abusivo e de um irmão mais velho muito querido, mas que não irá se casar, deixando assim a responsabilidade da herança em suas mãos. 

Se os motivos de Sarah já não fossem absurdos o suficiente, o plano do marquês no fim da história não fez o menor sentido e não posso dar muitos detalhes, pois seria um grande spoiler. Basta dizer que foi o tipo de plot que me fez questionar o quanto de suspensão de descrença uma história ou um leitor podem suportar. Fico triste de não ter me envolvido tanto, pois amo as histórias dessa autora, mas dessa vez, em minha opinião, poucas coisas positivas podem ser pontuadas e espero de coração que o quarto e último volume feche o arco das Smythe-Smith com mais qualidade.    

2 comentários:

  1. Oi Luana. Gostei muito da resenha e esse livro também não foi dos melhores pra mim.
    Eu não tenho nada contra essa implicância boba da Sarah, mas concordo que foi um pouco exagerada. Engraçado porque o consenso, pelo que eu tinha visto, apontava esse como o melhor livro da série. O que eu mais gostei foi o primeiro, mas exceto pelo humor da autora, achei a série toda meio rasa...
    Enfim... adorei seu blog! Beijão!

    http://cafeidilico.com/

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  2. Achei o enredo um pouco confuso, mas talvez seja porque não acompanho as histórias de Julia Quinn.

    www.estante450.blogspot.com

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