sábado, 15 de dezembro de 2018

Tutor






E quando o passado até então enterrado, volta para te dizer um “olá”. O que fazer?

Comecei essa resenha falando nada com coisa nenhuma, não é mesmo? Mas eu juro que essa frase que eu escrevi fará todo o sentido para essa obra tão intensa. Sejam bem-vindos a história de Pedro Salvatore e Beatriz Eva, em Tutor.

Conhecemos Pedro, como melhor amigo de Marco, protagonista de “O lado bom de ser traída”, aparentemente ele é só mais um cara bem-sucedido, solteiro que não tem nada que o assombre. Se você assim como eu achava isso e levou uma surra quando leu Tutor, por favor, toca aqui!

Pedro é um arquiteto de 32 anos muito bem-sucedido que até então não aparenta ter em seu passado tantas marcas, mas na verdade, a vida do nosso garoto nunca foi tão fácil assim. Quando ainda era novo ele e sua mãe, que era deficiente, tiveram que lidar com o abandono do pai e com as dificuldades da vida para se manterem. Eles sobreviveram, óbvio, mas certos traumas deixam marcas profundas e com Pedro não foi diferente, nosso garoto desenvolveu TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – e através dele a autoflagelação como rota de fuga.

Ok, Débora, o rapaz tem lá seus problemas – que não poucos – mas como você vai responder à pergunta que fez no começo da resenha? Como diabos o passado dele vai voltar para assombra-lo? Bem, o passado virá na forma de uma linda adolescente de 17 anos chamada Beatriz Eva.

Uma noite de Réveillon. Um acidente de carro. Uma família despedaçada. Mortes. E uma adolescente sem memória e sem ter com quem contar.
Em apenas uma noite a vida de Pedro vira do avesso e ele se vê tutor de uma adolescente linda, desmemoriada, sem ninguém e ainda sendo uma sombra de seu passado.

Bya é uma garota que deveria ter em seu olhar apenas alegrias, mas após uma série de procedimentos médicos, ela desperta sem memórias de seu passado e sem seus pais. Além desse trauma todo, ainda se vê sendo tutelada por um completo desconhecido, que ainda por cima é lindo de morrer.

Confesso que não consegui amar Bya de cara afinal, ela mal acordou do coma e já ficou loucamente apaixonada por Pedro, isso realmente me incomodou. MANOO ELA PERDEU A FAMÍLIA! Mas ao mesmo tempo que criei um ranço dela, não foi difícil aprender a gostar dela, porque no desenrolar do livro começamos a ver uma garota mimada e imatura ir se transformando em uma linda e inteligente mulher. Ponto para Sue!

Tutor é um livro muito denso, que não é tão fácil de lidar quanto aparenta, são muitas problemáticas juntas. De um lado temos o TOC de Pedro, do outro a falta de memória de Bya e no meio disso tudo uma paixão que os consome, mas que por preconceito – o famoso preconceito de diferenças de idade – sofre muito para se tornar de fato um amor.

Um ponto negativo desse livro, Sue escreveu um livro inteiro voltado para a temática de superação e amor, mas eu particularmente não me vi presa a ela, e sim a confusão de temas que a trama envolvia. Acredito que se tivéssemos apenas uma problemática, ou quem sabe duas, o livro teria sido bem mais proveitoso.

Houveram pontos altos nesse livro, como no anterior que li da Sue, é nítido que ela estudou para falar da temática – no caso desse livro TOC – com maestria, era nítido que a autora sabia do que falava. E isso desde já rende uns mil aplausos.

Outro ponto interessante é o fato dela tratar sobre o relacionamento com pessoas com diferenças de idade – o que para mim é indiferente – mas que só por existir já é pré-julgado na sociedade. E no caso da história, sofria um prejulgamento do homem mais velho que estava apaixonado por uma menina mais jovem.

Meu ponto alto favorito é que vemos o romance ser construído no decorrer de anos, sabem? Não é nada desesperado ou corrido, ao contrário, vemos grandes desafios e dramas que esse casal enfrenta para conseguirem atingir a felicidade.
Eu gosto da forma como a Sue trata de temáticas tão densas com tanto estudo e respeito. Esse livro não me ganhou por completo por conta de seus inúmeros temas, eu particularmente, gosto quando temos poucos temas, mas que eles sejam bem trabalhados, mas isso não impede que ele seja uma boa leitura para outro leitor.

Então eu finalizo a resenha indicando o livro sim, afinal, cada leitor é um leitor né?



Um comentário:

  1. Que delícia! Amei a resenha e entendo todos os pontos de vista. Obrigada, por fazer parte da minha história e conquistas. Surto de beijos.

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