sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Marina Nada Morena






“Marina Nada Morena”, escrito por Vanessa Balula e ilustrado por Taline Schubach, é uma preciosidade publicada pela Bolacha Maria Editora, localizada em Porto Alegre. É daqueles livros que te conquistam sem fazer muito esforço, mesmo que o adulto não seja público-alvo, inicialmente. Mas, toda menina já teve ou foi uma Marina, assim como todo menino já teve ou foi o Lucas de alguém. A autora nos envolve na história dos dois até lembrarmos da criança que fomos com imensa nostalgia.

Este foi um daqueles raros casos em que o livro veio depois do material de origem – no caso, uma peça teatral com a direção de Ernesto Piccolo e os atores Mel Maia e Cauê Campos vivendo os protagonistas. Vanessa Balula também foi a responsável pela adaptação e creio que por isso a transição peça-livro tenha sido tão suave.

Marina é descrita como uma menina muito, mas muito diferente das demais. Com seus cabelos ruivos cor de xarope, inseparável arquinho de cabelo com estrelas brilhantes e uma imaginação maxi especial de tão fértil, constrói no ar suas histórias e se agarra a elas para passar pelas mudanças que já passa ao longo de sua ainda curta vidinha. É um livro que expõe de forma muito lúdica e clara as dificuldades de crescer no mundo moderno, onde tudo muda o tempo todo e a necessidade de se encontrar e adaptar em meio às suas relações líquidas. Boa parte das crianças são obrigadas a enfrentar todos os dias circunstâncias muito similares, o que torna “Marina Nada Morena” um instrumento psicopedagógico de suma importância, para além do entretenimento que também ali se encontra.  

Marina passa pelo divórcio dos pais, os novos namorados da mãe, o novo casamento do pai, a perda de seu irmão Rafa para o “mundo adulto”, uma mudança de endereço e até a despedida dolorosa do melhor amigo, o Lucas. Fora as notícias desastrosas que aparecem nos jornais e das quais tornou-se impossível proteger os pequenos. É coisa PRA CARAMBA que a jovem protagonista precisa lidar, mas ela vai passando pelas situações com uma doçura e uma leveza deliciosas. Vanessa Balula construiu sua Marina para se sustentar sozinha diante da miríade de “marinas” que já povoam nossa cultura popular, e o faz de maneira contundente e intensa.

O livro, porém, não seria nem metade do que ele é sem as ilustrações de Taline Schubach. Com um traço propositadamente infantil, o olhar sensível da ilustradora sobressai-se no cuidado com o qual criou cada página. Não há um único lugar não-preenchido e quando há ausência de cor, é para acompanhar os dissabores inevitáveis. Ela faz de Marina a personificação da garotinha curiosa, estelar, faladeira e adorável que a autora descreve, com uma luz toda própria de quem já nasceu gigante.

A gente termina a história com uma sensação de querer poder deitar em Orfeu, abraçar Serafim e olhar o céu ir trocando de cores até podermos ver as constelações no escuro, junto dela e de Lucas. Recomendo a leitura!



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