sábado, 16 de fevereiro de 2019

Os Mistérios de Sir Richard





É com pesar que chego ao último volume do Quarteto Smythe-Smith, precedido por “Simplesmente o Paraíso”, “Uma Noite como Esta” e “A Soma de Todos os Beijos”, todos da diva máxima Julia Quinn.

Agora chegou a vez da última integrante do grupo mais desafinado de Londres, aquela que é a única que realmente SABE tocar um instrumento: Iris Smythe-Smith, a violoncelista. Não que qualquer pessoa que frequente os saraus consiga diferenciar um instrumento do outro, mas vocês me entenderam. Rs

Sir Richard Kenworthy é um baita partido para o mercado de casamento londrino em suas infinitas temporadas, mas a última coisa que qualquer pessoa poderia prever é que ele colocasse seus olhos em Iris e decidisse que ela seria a “esposa perfeita”. Nada contra nossa mocinha, pois desde o primeiro livro somos apresentados à sua inteligência, sarcasmo e rapidez de raciocínio – afinal, para sobreviver às primas Plainsworth e à própria família, esses são adjetivos indispensáveis. Ela, porém, está longe de ser uma possível “Incomparável da Temporada” e nem mesmo têm essa ambição. Só quer ser dispensada de tocar com as primas, casar com um marido bom para ela e continuar em segundo plano, já que não acredita que tenha o que é preciso para conquistar um homem proeminente. Por isso, aceita com prazer ser cortejada por um “Sir” muito rico, mas isso não a impede de perceber que algo não parece certo nisso tudo...

Richard precisa desesperadamente encontrar uma esposa EM MENOS DE UM MÊS. Esse foi um diferencial interessante, porque se em boa parte dos romances as “desesperadas” são as mães e filhas, aqui no caso é um homem, o que por si só já coloca uma nova perspectiva que é muito boa de se ler. O problema nesse caso são os motivos de toda essa pressa.

As razões só nos são reveladas quando boa parte do livro já se passou e ele e Iris já se encontram casados. E, meu povo, QUE. ÓDIO. DESSE. HOMEM! Com a nossa cabeça de mulher do século XXI, ouviríamos as razões de Richard, plantaríamos um belo de um tabefe em sua cara e procuraríamos o advogado de divórcio mais rápido que encontrássemos. Iris fica realmente muito irritada, mas divorciar não era lá uma opção naquele período, ainda mais quando você é consciente de suas poucas chances de casar-se tão bem... Nossa mocinha não é uma mulher tola ou gananciosa, mas realista. Isso não a deixa imune ao sofrimento, já que a “situação” em que é colocada pelo marido a magoa constantemente por ter sentimentos reais por ele, e isso vai fazer você pegar uma baita raiva do sujeito.

Mas, isto é Julia Quinn, então sabemos que o final feliz é garantido. O que não quer dizer que seja com uma solução boa o suficiente para tudo o que a Iris passou.

Sei que mesmo sendo um excelente livro do ponto de vista narrativo, ainda mais se comparado ao anterior (Alô, Sarah Plainsworth, é de você mesma que estou falando!) ainda assim dividiu e muito as opiniões dos leitores. Com tudo ainda muito fresco na cabeça, não sei se consigo dizer se fiquei ou não satisfeita com o desfecho, mesmo após o belo epílogo, porque acho que não conseguiria passar por cima da maneira como Iris fez. Acredito que este seja mais um defeito meu do que da personagem propriamente dita, pois, a grandeza da protagonista se mostrou justamente em seu generoso coração e capacidade de perdoar.

Retratada como uma jovem comum e com pouco ou nenhum atrativo externo, um tipo muito mais comum e perto da realidade da época do que nossas lindas mocinhas literárias, Iris merecia mais. Muito mais. Pelo menos é o que sinto e isso não diminui em nada a qualidade da história e a crescente construção do romance entre os dois, uma das melhores da série até agora.  

Os diálogos em pingue-pongue tão característicos da autora estão presentes e as referências escancaradas à Orgulho & Preconceito, de Jane Austen, são um aperitivo inesperado e que fazem a gente sorrir de orelha a orelha – #janeitesparasempre. A melhor parte do livro, OBVIAMENTE, envolve aquela que é, para mim, a melhor de todas as moças da família: Frances Plainsworth. Lembram da peça que Harriet estava escrevendo lá no segundo volume? “A Pastorinha, o Unicórnio e Henrique VIII” finalmente veio a luz numa hilária apresentação e Frances CONSEGUIU seu unicórnio, de uma maneira ou de outra! #teamunicornio #teamfrancesplainsworth

Fecho mais este capítulo da minha sempre crescente lista de leitura de Julia Quinn com o saldo positivo, pois a série “Quarteto Smythe-Smith” tem qualidades que suplantam seus defeitos e encerra com beleza a saga dessa família. Recomendadíssimo!

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