segunda-feira, 17 de junho de 2019

O Príncipe Corvo



"— É tão mais fácil simplesmente fazer o que as pessoas esperam de você, Anna.
— Pode ser mais fácil, mas não é necessariamente a coisa certa a fazer, mãe."

Sabe aquele romance de época que te surpreende? Aquele que não entra totalmente na receita de bolo que você adora, mas que exatamente por isso é tão maravilhoso? É exatamente esse tipo de livro que eu vou falar pra vocês hoje, por isso, sejam bem-vindos ao romance que me deixou de queixo caído "O Príncipe Corvo".

Anna Wren é uma jovem viúva que se vê em uma situação financeira complicada, ela não tem como sustentar sua família (sogra e criada) e sem alternativas, ela decide que começará a trabalhar – o que para uma mulher do século XVIII não é muito comum, não é mesmo? Mas esse é o menor dos problemas que a nossa garota vai ter que encarar.

Do outro lado, na Abadia de Ravenhill vive o Conde Swartingham, ou apenas Edward de Raaf, um homem marcado pela vida, não apenas física, mas emocionalmente. O conde é conhecido por vários motivos, dentre eles está sua aparência"estranha", seu gênio e temperamento, e o principal é o de ser o maior partido do vilarejo de Little Battleford.

Mas como a vida desses dois vai entrar no mesmo curso? Bem, como tudo basicamente na vida desses dois é meio torto, o primeiro encontro deles não é nada poético, mas é claro que eu não contarei, porque senão vocês perdem a magia do momento kk. O segundo encontro, e o considerado  oficial, é na Abadia do Conde quando Anna é apresentada como sua nova secretária. É isso mesmo, você leu certinho, a nossa heroína chegou chutando a parede e ocupando um cargo que era comum entre homens naquela época. #GirlPower

Após o choque entre os dois, a convivência entre eles começa a funcionar, afinal, nem mesmo o temperamento tempestuoso do Conde afastava Anna de seus afazeres. E nem ele se afugentava com as respostas e olhares ferinos dela à algum comentário ou assunto que seria tedioso para qualquer dama da época. 

E é nesse momento que o afeto entre os dois começa a surgir, o interessante é que ambos fogem do sentimento. Ela, porque a sociedade espera que ela viva só e que nunca mais se envolva com alguém. Do outro lado, ele acredita que ela o acha horrendo por suas marcas, e que nunca olharia para ele com outros olhos além da relação chefe e funcionária. 

Até aí, nada novo pra um romance de época né?

Bem, seria um romance  comum se a nossa mocinha não fosse uma mulher totalmente fora dos padrões da época. Anna é tão única que ela por inúmeras vezes se anula. Anula sua reputação para ajudar aos outros – fofa!! 

Mas a vida dos dois trabalhando na Abadia, estava indo bem, mesmo com ambos sofrendo com a atração incontrolável que aumentava a cada dia. Bem, até  um certo papel, de um certo local chamado Grotto de Aphrodite – que nada mais é que um bordel de luxo para homens de posses, como Edward – surgir, e foi nesse momento que o coração de Anna desmoronou,  isso até ela ter uma ideia um tanto quanto inovadora e perigosa para uma mulher: Ela iria ao Grotto e satisfaria seus desejos também, e seria com seu conde.  

Se vai dar treta? Magina! MUITA.

Um encontro às escuras. Uma mulher mascarada. Um homem atormentado por sonhar com uma mulher que não pode ter. Uma explosão de luxúria e sentimentos de ambas as partes. Mas sabem como é né? Mentira tem perna curta. E nesse livro tem tanta mentira embolada que você fica em choque . É MUITA TRETA JUNTA, PRODUÇÃO! 

Mas a pergunta que vagueia a sua mente a cada página virada é: Será que esses dois conseguirão ficar juntos? Meu conselho: Continueeem!!

Elizabeth Hoyt foi muito feliz em todo o enredo, os personagens foram bem escritos e bem desenvolvidos. As cenas hot foram bem escritas, trazendo sensualidade ao contexto. Mas para esta leitora o ponto alto foi o grande foco no poder de Anna Wren, o foco na mulher, a luta por seus desejos, por sua opinião, e principalmente o desprezo pela opinião alheia. Amei Edward, é raro termos um protagonista com sensibilidade, ele teve sua vida marcada por tantas perdas e mesmo sendo bronco conseguia transmitir sua empatia com o mundo. 

Outro ponto forte foi o fato de que o livro não trabalha a fragilidade apenas  da mulher como a do homem também. Ela mostra os dois lados da moeda, o momento em que ambos tem que trabalhar seus sentimentos e se autoconhecer. Isso foi fantástico!

Mas como nada no mundo é perfeito, eu não podia deixar de falar de uma falha que para uma leitora dói. O livro foi extremamente bem escrito e bem trabalhado até certo ponto. Do momento em que há o plot twist até o final – que é quase no mesmo momento – a autora pisa no acelerador e finaliza de forma corrida, o que poderia ter sido feito de uma maneira muito melhor! 

No todo, o livro é bom, e eu indico a leitura pra você que como eu é louco por romance de época. E para os que ainda não conhecem o gênero, se aventurem! Vale super a pena!

Ah, e antes que eu esqueça só um recadinho: É SERIE BRASIL!! TEM MAIS VINDO POR AI!! #GLORIFICADEPÉIGREJA


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